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O caos só pode ser evitado com máquinas, tecnologia ambiental contemporânea e mutirão de cidadania |
O assoreamento monstro poderá causar desertificação ou uma megaenchente tal o desequilíbrio da ecologia local e regional, sintoma de caos. Alguns trechos da Lagoa do Castelinho visualmente até se assemelham com as imagens do mar de lama que assolou a região de Mariana (MG) em torno do maior desastre ambiental da mineração no Brasil, guardadas as devidas proporções, na realidade, o excesso de assoreamento nesta represa é o maior da história da ecologia (ou da desecologia) em Franca (SP). A nossa equipe do blog Folha Verde News esteve ali no local, onde ao longo de praticamente 100 anos foi-se formando o lago com águas do Córrego Espraiado e de nascentes da região sul desta cidade. Não só dentro deste espaço centenário da AEC (Associação dos Empregados do Comércio de Franca) – que era um clube de campo da classe média mas virou sede urbana com o crescimento da cidade – mas também, em outros pontos de toda a zona sul da capital dos calçados e em outras zonas de toda a região nordeste paulista, as erosões, os assoreamentos, vários tipos de poluição, lixos, problemas às vezes causados por falta de cultura ecológica da população e às vezes por processos naturais como nesta época o acúmulo de chuvas em contraste com a seca intensa de meses atrás, porém, principalmente, pelas autoridades públicas municipais, regionais, estaduais etc. pela falta de uma gestão ambiental sustentável que poderia estar evitando preventivamente este problema que está cada vez mais dramático. Houve um técnico agrícola, formado em Geologia, Geraldo Lucas, de Bauru (SP) que ao constatar nesses dias a situação da represa, onde costumava nadar e pescar quando criança vindo na casa de parentes nas férias, comentou informalmente a situação com associados do clube, onde a lagoa ocupa cerca de 3 mil metros quadrados, ele avaliou que a continuar como está, em 3 anos a represa vai desaparecer. Para o repórter Rafael Algarte, da TV Record, foi o que em resumo também disse o presidente do clube em uma de suas entrevistas, João Carlos Scheneider, o popular João Preto, quer mobilizar a comunidade para resolver a situação. Ao falar com a produtora da Record Renata Modesto e com o repórter Rafael Algarte também, que queriam a minha visão de ecologista, deixei claro sem precisar data que realmente pode acontecer uma catástrofe naquele local, com um detalhe: se não houver uma gestão sustentável na represa, em toda a microrregião em volta e até em toda esta região do nordeste paulista, poderá haver um caos socioambiental por aqui. A represa do Castelinho é um dos primeiros sintomas disso, o problema só será solucionado com uma ação em todo o meio ambiente em torno da lagoa. Vale destacar também que a represa do Castelinho é um patrimônio não só do clube mas de toda a cidade e da ecologia da região: nos meses mais secos, em Franca, ela funciona no ecossistema local como o lago de Paranoá em Brasília (DF) ou como a lagoa de Pampulha em Belo Horizonte em Minas, oxigenando o ar destas cidades, evitando doenças respiratórias da população, melhorando o bem estar as pessoas, criando peixes, como opção de lazer ou de alimento, até se tornando um tipo de natureza urbana que se torna um reserva. No Castelinho há variadas espécies de pássaros como garças, biguás, tucanos, patos selvagens e passarinhos nativos, capivaras, preás, rãs e outros bichos que dependem das águas e/ou dos peixes da lagoa. Estas lagoas se transformaram num patrimônio da ecologia urbana e do meio ambiente neste tempo de muito tumulto neste setor da nossa vida. Após a seca brava do ano passado, as chuvas que se intensificaram ultimamente têm gerado em vários pontos do interior do país enchentes, quedas de barreira, desbarrancamentos, assoreando rios, lagos, córregos, agravando o processo natural que já é forte numa região como a de Franca, sujeita à erosão, formada por centenas de voçorocas. Aqui este processo erosivo se agrava com o lixo irregular, o vazamento de óleo na lavagem de veículos e outros efluentes poluidores nessa cidade industrial, a secagem de nascentes, como as que sobreviviam na Vila Europa, o desaparecimento de brejos, da vegetação que protegia esta área, tomada por um grande volume de loteamentos, entulhos de construção, desmatamentos, só aumentando a areia que vai assoreando um dos locais que de oásis de água pode se tornar um novo deserto. As chuvas, o vento, as mudanças químicas, as alterações na disposição do solo e das rochas, acúmulo de resíduos, grande quantidade de detritos, que, na falta das matas ciliares que quase não sobrevivem mais, aí tudo e mais um pouco acaba indo parar no fundo dos rios, lagoas, córregos e da represa do Castelinho. E além do assoreamento provocar a redução no volume de água de algumas partes e o alagamento de outras, compromete o fluxo das correntes e a navegabilidade, altera a visibilidade e a entrada de luz, e, ainda, reduz a renovação do oxigênio da água, inviabilizando a qualidade hídrica, colaborando para o desequilíbrio de todo o ecossistema local e regional.




