
Vou falar sobre uma sobremesa francesa tradicionalíssima que, ultimamente, caiu no gosto dos brasileiros desbancando nosso velho conhecido – e já batido – petit-gateau. O crème brulée é um pudinzinho de leite e ovos, finalizado com uma tentadora camada de açúcar queimado em sua superfície. Apesar de mundialmente conhecido como uma iguaria da patisserie francesa, sua origem desde sempre rende calorosas discussões. Os espanhóis defendem com unhas e dentes a versão de que o crème brulée nada mais é do que uma variante da crema catalanha surgida no século XVII. Na terra da rainha, os ingleses juram que o creminho queimado é uma interpretação do Burnt cream. E ainda em Portugal ela recebe o nome de Leite-creme. De uma coisa ao menos concordam: todas as variações partem de uma receita base, o creme anglaise – gemas, creme de leite e açúcar. A partir daí, ela oferece infinitas possibilidades de sabor. É só deixar a criatividade voar.
O crème brulée, alem de saboroso e elegante, instiga outros sentidos. O creck da colher quebrando a camada crocante de açúcar e sua cremosidade gelada são surpresas agradáveis para qualquer paladar. É alegre ver a personagem de Andrey Tauton no filme francês “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” cultivando um gosto por pequenos prazeres: enfiar a mão num saco de grãos, jogar pedras no canal St. Martin e… adivinhem? Quebrar a casquinha de açúcar do crème brulée com uma colher.




