Estabilidade e bons salários. São estes os dois principais fatores que levam milhares de pessoas a tentarem todos os anos ingressar em um dos muitos concursos públicos abertos no Brasil. Em Franca e na região isso não é diferente: a cada anúncio de novos concursos, chovem candidatos dispostos a tentarem uma das vagas.
Mas além de querer fugir da insegurança da iniciativa privada, ter segurança de que trabalhando corretamente é possível evoluir, é preciso pensar no que vem depois da aprovação e na prestação do serviço ao público. Isto porque para construir uma carreira pública é preciso vocação. Assim como qualquer profissão, com o tempo o concursado pode perceber que o futuro escolhido é incompatível com sua personalidade. Foi o que aconteceu com Luidgi Marques, 29 anos, que após seis anos como servidor público na área de saúde de Franca, percebeu que não estava feliz. Ele trabalhava no automático e com o tempo, já não rendia bem no seu cargo. “Estava insatisfeito e isso refletia claramente no meu desempenho e no público”, diz.
Mesmo abrindo mão da estabilidade financeira, Luidgi decidiu ir atrás de seus sonhos, juntou algumas economias e foi estudar Gastronomia no Centro Universitário Senac – Águas de São Pedro, um dos mais conceituados centros de ensino gastronômico do país. Prestes a se formar, diz viver a realização de um sonho. “Não imaginava que poderia ser tão feliz nessa área. O que era um hobby se mostrou uma paixão e, agora, com conhecimentos e técnicas, tenho tudo para buscar meu lugar no mercado. Estou muito otimista”, diz Luidgi, que pretende galgar os degraus necessários até se tornar chef de cozinha.
Entre a cruz e a espada
Para que essa encruzilhada não aconteça, a psicóloga organizacional Emília Cerdeira Soares orienta que o profissional não idealize a profissão e conheça suas desvantagens. “Não basta querer ser servidor, mas ter consciência de quais são os seus sonhos pessoais. Não adianta ter estabilidade, mas não ser feliz”.




