O ser humano é o único
animal adulto que toma leite. O café da manhã é a principal refeição do dia.
Manga com leite faz mal. Carboidrato à noite não pode, comer e dormir também
não. Cerveja cria barriga. Limão irrita o estômago. A lista não para por aqui. A
alimentação envolve mesmo muitos mitos e crendices.
Ninguém melhor do que o
nutrólogo Enio Cardillo Vieira, professor-doutor e professor emérito do
Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal de Minas Gerais
(UFMG), para jogar por terra todas as superstições e informações erradas a
respeito do pão nosso de cada dia que circulam por aí. “Tudo precisa de base
científica. Somos sujeitos a modismos e queremos ser enganados. Daí surgem os
alimentos mágicos.”
Convidado a palestrar no
seminário “Mitos e crendices em nutrição”, em comemoração aos 50 anos da
pós-graduação em bioquímica e imunologia e também do ICB, professor Enio, de 85
anos, com cinco décadas dedicando-se ativamente à área de saúde, reforça que
“todo alimento é bom alimento. Depende para o quê. “Estive em Campo Grande e a
chia está em alta, na moda. A venda a granel custava R$ 65 o quilo. Um absurdo,
enquanto temos outros cereais e leguminosas que oferecem os mesmos benefícios”.
Ele ensina ainda que “um trabalhador cortador de cana, com gasto energético de
quatro mil calorias, vai precisar de açúcar, sim. E até de cachaça! Logo, o
açúcar não é o vilão que propagam”.
O problema dos mitos,
crendices e modismos é que se alastram como pólvora. Errados, eles são
prejudiciais, muitos tomam como verdade e saem repetindo por aí, enviando
mensagens via WhatsApp, até como corrente.




