Incontáveis escritores, de Jack
London a Richard Matheson, de Margaret Atwood a Stephen King, já deram sua
versão para o fim do mundo. Entre as causas mais prováveis, apontam, estão
guerra nuclear, engenharia genética e inteligência artificial. Para Hagai
Levine, a raça humana corre o risco, sim, de ser extinta, mas por outro motivo:
a infertilidade masculina.
Não, Levine não é autor de romances
pós-apocalípticos. Ele é epidemiologista da Universidade Hebraica de Jerusalém,
em Israel. Depois de revisar 185 estudos e artigos sobre fertilidade masculina,
com dados de 43 mil voluntários dos EUA, Europa, Austrália e Nova Zelândia, Levine
e sua equipe constataram: a concentração de espermatozoides caiu 52%, passando
de 99 milhões/ml em 1973 para 47,1 milhões/ml em 2011.
Para dar um tom ainda mais dramático
à sua descoberta, publicada no periódico científico Human Reproduction Update, Levine comparou o estágio atual ao
risco de colisão do Titanic. “Não sou capaz de prever o futuro, mas diria que
essa queda na contagem é apenas a ponta do iceberg”, alerta. “Quanto antes
estudar as causas e combatê-las, melhor”.
O professor do Departamento de
Fisiologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Anderson Martino-Andrade,
é um dos sete pesquisadores que integraram a equipe de Levine. Mais do que
servir de alerta para uma possível deterioração da saúde reprodutiva do homem,
Andrade acredita que o estudo acende o sinal vermelho para a piora no seu
estilo de vida. Em bom português: se o sêmen vai mal, a saúde do indivíduo, no
geral, também vai.




