Em meio à crise, qualquer sinal de dinheiro é bem-vindo. E desde as primeiras horas do dia de hoje, os mais de 4,5 mil servidores municipais estão rindo à toa. É que a Secretaria Municipal de Finanças liberou o pagamento da 1ª parcela do 13º salário, juntamente com o salário referente a outubro, gerando um aporte financeiro de R$ 30 milhões na economia local.

E, apesar de ainda não ter dados oficiais sobre o assunto, as estimativas da classe empresarial apontam que até o final de dezembro, a injeção de recursos na economia francana deva ser superior a R$ 110 milhões, superando os números registrados em 2014, quando o município recebeu R$ 100 milhões. Esse montante corresponde ao pagamento das duas parcelas do 13º salário a todos os trabalhadores da cidade com carteira assinada.
Para os lojistas, o período é de renovação de expectativa, já que as vendas na última data festiva – Dia das Crianças – ficaram bem aquém do esperado, segundo levantamentos realizados pela ACIF – Associação do Comércio e Indústria de Franca com comerciantes de pequeno, médio e grande portes de todas as regiões da cidade. Os dados apontam que as vendas não atingiram o esperado para 64% dos lojistas Segundo o levantamento, 44% dos entrevistados venderam menos que em 2014; 34% venderam igual ao mesmo período de 2014 e 18% aumentaram as vendas em até 5%. O valor do presente também foi modesto: entre R$ 50 e R$ 100.
Para completar, a poucas semanas do Natal, as contratações temporárias que já deveriam estar movimentando o comércio, se mostram paradas em Franca. Segundo boa parte dos lojistas, a criação de vagas temporárias para o final de ano deve cair em até 30% pela baixa expectativa de vendas, decorrente da crise na economia. Levantamento da FecomercioSP aponta que de janeiro a julho já foram eliminadas 57.259 vagas no comércio varejista do estado.
DÍVIDAS OU COMPRAS?
Enquanto os lojistas de Franca esperam o pagamento do 13º salário para o aquecimento das vendas de final de ano, pesquisa divulgada pela Anefac – Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade aponta um cenário desanimador para o setor comercial do país: o pagamento de dívidas deverá ser o destino do 13º salário de 74% dos assalariados este ano. Em relação a 2014, houve um aumento de 8,8% no percentual de trabalhadores com esse objetivo.

E entre os que vão pagar as dívidas, 83% dos consumidores têm obrigações contraídas no cheque especial e no cartão de crédito e pretendem utilizar os recursos do salário para estar regularizando as mesmas. Ainda segundo a Anefac, houve uma redução de 20% na quantidade de consumidores que possuíam dívidas com prestações do comércio em atraso.
O cartão de crédito é a linha de crédito com maior peso na composição das dívidas em aberto dos consumidores tendo atingido em 2015, 44% do total (crescimento de 2,33% sobre 2014) contra 39% do cheque especial (elevação de 2,63% sobre 2014), segundo a entidade.
E O NATAL?
Apesar do destino certo do 13º salário ser o pagamento de dívidas para a maioria dos brasileiros, segundo a Anefac, houve um aumento no número de consumidores que pretendem gastar valores menores neste Natal e redução nos que pretendem gastar os maiores valores.
Em 2015, 90% dos consumidores pretendem gastar até R$ 500, contra 87% em 2014.
Em 2015, 10% dos consumidores pretendem gastar no Natal mais de R$ 500, contra 13% em 2014. As maiores elevações com crescimento de 14,29% de 2014 para 2015 se deu entre os consumidores que pretendem gastar até R$ 100, seguindo-se daqueles que pretendem gastar entre R$ 100 e R$ 200 com um crescimento de 6,67%.




