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Da casca dura

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​Durante muito tempo, ele vinha trazendo o coração envolto por uma casca. Parecia até que nem havia ali uma batida. Nada. Era como se fosse um morto-vivo sorrindo para o mundo uma alegria comprada em loja. Tentando se manter em pé. Tentando ser ainda gente. Ela sim trazia o seu coração nu, carne viva, pulsando convicto. E foi assim que os dois corações nunca se encontraram. Mas um dia… Ah, um dia, a casca do coração dele se quebrou e quem ficou nu foi ele diante do que sentia. Não sabia o que fazer, então pegou seu próprio coração com as mãos, quente feito brasa, e ficou ali, jogando-o para um lado e para outro sem saber o que fazer com aquele amor que lhe queimava a pele. Foi então que quando olhou aquela bomba vermelho-sangue, o coração dela explodiu em sorriso. Em esperança. Mas o tempo passou de novo e o que ela viu crescer não foi amor: foi outra casca. Outra dura e, forte a esconder mais uma vez aquele músculo frágil a ponto de nem se ouvirem mais as batidas. Era tão grossa, que também não se via mais nada. E o coração que ela não mais vê, não mais sente, voltou a se perder entre a linha tênue vida-morte. Mas o dela não… O dela ganha paz de novo, como quem viveu um sonho breve e acordou. E segue leve, feliz, pulsando. E convicto.

“Paz é o plantio de boas ações. É o cuidado com as palavras. É a paciência no meio da tormenta. Paz é uma sensação para poucos”. 

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(Vanessa Leonardi)

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