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Pior lixo é que cientistas e ecologistas não são ouvidos

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Em pouco mais de uma década e o Aterro Sanitário de Franca já mostra erros e limites: o chorume ameaça solo e água subterrânea, segundo relatam Tarissa Esteves que fez a reportagem e Divaldo Moreira, as fotos, para o Comércio da Franca, jornal que destaca um acidente causando um vazamento de chorume  nesta cidade do nordeste paulista. Confira nestas duas imagens a seguir, que dispensam legenda…

O chorume é também um sintoma de alerta

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Este vazamento de chorume mostra sintomas de problemas neste Aterro Sanitário de Franca (SP) que, assim como a maioria das cidades do país, têm optado por este tipo tradicional de aterro para fugir aos Lixões. Porém, é uma opção muito mais cara e bem menos ecológica que outras alternativas de pesquisadores e cientistas ambientais já vem desenvolvendo. Em pouco mais de 10 anos, já dá sinais de erro na escolha da tecnologia. Alertamos sobre este fato ainda na Audiência Pública na Unesp quando da Audiência Pública antes da construção desse Aterro, feita há duas administrações anteriores. Nessa oportunidade, defendemos a proposta mais sustentável e contemporânea da Química da USP e Unicamp, premiada por seu projeto ambiental na Harvard (Estados Unidos), a Drª Joana D’Arc Félix de Souza, hoje atuando na Fundação Paula Souza e doutorada em Química Orgânica, ela propunha um tratamento químico do lixo doméstico, que além de ocupar menos espaço, evita desapropriações ou eventuais contaminações do solo e da água, criando subprodutos, transformando o lixo em luxo. Mas os cientistas e ecologistas não fomos ouvidos pelos políticos. Agora o acidente neste Aterro Sanitário mais uma vez mostra que sempre se deve ouvir a ciência, o sentido público e de cidadania, optando-se por tecnologias ambientais mais contemporâneas e mais econômicas, além de mais ecológicas. 

Doutorada em Química Orgânica e premiada nos States, Drª Joana não foi ouvida em sua cidade natal….

O Aterro é um avanço mas não a solução. Um avanço só em relação ao Lixão, que não tem nenhum tipo de proteção ao ambiente, os lixões se tornam vulneráveis à poluição causada pela decomposição do lixo, tanto no solo, quanto nos lençóis freáticos e no ar, a maior parte do material despejado entra em processo de decomposição, produzindo o chorume e o gás metano. O chorume escorre com o auxílio da chuva e penetra na terra, chegando aos lençóis freáticos que podem contaminar as águas. Já o biogás resultante da decomposição do lixo e formado por gases como metano, gás carbônico (CO2) e vapor d’água, sendo liberado diretamente para a atmosfera, nem sempre os Aterros Sanitários contam com algum tipo de tratamento. Eles são espaços preparados para a deposição final de resíduos sólidos. Esses locais deveriam ser melhor planejados para captar e tratar os gases e líquidos resultantes do processo de decomposição, protegendo o solo, os lençóis freáticos e o ar. Em geral, as células são impermeabilizadas com mantas de PVC e o chorume é drenado e depositado em um poço, para tratamento futuro. O biogás é drenado e pode ser queimado em flaires ou poderia ser aproveitado para gerar eletricidade. Por ser coberto por terra diariamente não há a princípio proliferação de pragas urbanas. Porém, os aterros sanitários tão caros não são efetivos para sempre, o de Franca, pelo visto já mostra todos os sintomas de deterioração, seria urgente um monitoramento mensal ou pelo menos anual de todo o sistema, da qualidade da água e do equilíbrio ecológico no entorno. Então, a gente se refere aqui ao tratamento químico do lixo, a alternativa mais sustentável da Drª Joana D’Arc que foi rejeitada pela Prefeitura que optou por um Aterro Sanitário tradicional, economicamente muito mais caro mesmo sendo  um sistema ecologicamente defasado. 

Foto de Renê Moreira mostrou Drª Joana D’Arc em matéria do site RBA sobre a sua solução para o lixo

Mesmo sendo uma cientista respeitada em outros países, Drª Joana D’Arc Félix de Sousa não foi ouvida em sua própria cidade natal , mesmo sendo uma reconhecida especialista em reaproveitamento de resíduos orgânicos e industriais. No seu projeto, inicialmente, 10 toneladas de lixo doméstico (5% do total) vão virar adubo. Em seis meses, será a totalidade. O resultado prevê a recuperação total até de áreas de aterro. Depois pode ser reaproveitado o lixo gerado por curtumes, indústria calçadista e canaviais. A fórmula para transformar lixo em fertilizante ela não revela em entrevistas (como a que concedeu à Rede Brasil Atual), não revela porque estamos num tempo em que são apresentados no dia a dia mais problemas do que soluções ambientais e que o lixo não é a pior sujeira no ambiente da política e da falta de gestão sustentável das prefeituras em geral, com quase nenhuma exceção. Urgente ampliar os recursos e a implantação do Plano Nacional de Resíduos Sólidos mas também de se optar por tecnologias mais avançadas, como é o caso da proposta por Drª Joana D’Arc. Este acidente revela que anos atrás ela havia indicado uma opção mais econômica e melhor ambientalmente para resolver o drama do lixo em Franca. Por que ela não foi ouvida? Por que os cientistas e ecologistas clamam no deserto de nossa política e não são ouvidos? Por esta e outras, o caos ainda pode ocorrer e não somente na área de saneamento mas em todo o meio ambiente daqui e do país, o que me resta como resíduo de tudo isso é então pedir a Deus que o caosnão ocorra…

Amanhã aqui neste microblog de Ecologia mais informação e para você onde quer que você esteja, muita paz, Padinha!

Cesar Colleti

O que acontece e como acontece em Franca e região