Foi lançada na
capital paulista, a campanha de esclarecimento sobre a depressão Pode Contar,
com enfoque na empatia, ou seja: a capacidade de familiares e amigos se
colocarem no lugar da pessoa que sofre com a depressão. O conteúdo da
campanha está disponível no www.medley.com.br.
Carmita Abdo, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria
(ABP), explica que a empatia não é passar a mão na cabeça ou sentir pena de
quem sofre com a doença, mas se colocar no lugar do outro: “É se reconhecer no
outro. Nós na ABP falamos muito de combater o estigma da depressão e nada
melhor que exercitar a empatia”, disse.
De acordo com a médica, a empatia envolve processos afetivos e
cognitivos e se traduz na capacidade de perceber os sentimentos e emoções da
outra pessoa, sem julgamentos. Segundo ela, as doenças mentais estão entre as
dez patologias mais prevalentes de um total de 32 doenças incapacitantes para o
trabalho.
A engenheira Bernadete de Araújo, de 64 anos, conta que a
depressão a afetou de diversas formas. Ela sofreu de forma recorrente desde a
infância, mas notou sintomas exacerbados na vida adulta. Ainda assim, demorou
oito anos para conseguir o diagnóstico. “Houve um tempo na minha vida em que eu não conseguia
raciocinar, somar ou subtrair. Eu fazia relatórios em outras línguas, mas não
conseguia ler uma manchete de jornal. De repente, eu me tornei impaciente,
ansiosa e até agressiva. Eu sentia uma tristeza enorme e não entendia a razão”,
lembrou.




