Bruna Malta, de 36 anos,
nasceu numa fazenda de café em Franca. Influenciada desde a infância pelos
avós, não acreditava que teria outro destino. Além de produzir e vender cafés
especiais, é uma das coordenadoras de um grupo só de mulheres que, há menos de
um mês, oficializou a entrada na Aliança Internacional de Mulheres do Café
(IWCA), atuante em 22 países.
A associação foi criada em 2003 por mulheres da
indústria de café dos Estados Unidos e produtoras da Nicarágua. Dez anos
depois, chegou ao Brasil, mas, desde então, o estado de São Paulo era o único
sem representantes. Isso mudou na Semana Internacional do Café, realizada de 07
a 09 de novembro em Belo Horizonte (MG), onde Bruna e mais 161 mulheres da
região da Alta Mogiana Paulista e Mineira brindaram a conquista. A bebida não
poderia ser outra: cafés especiais.
A Alta Mogiana Paulista é formada por 24 municípios,
sendo Franca a principal referência. Segundo a Cooperativa dos Cafeicultores e
Agropecuaristas da região (Cocapec), deve encerrar 2018 com 2,9 milhões de
sacas de café colhidas, em uma área de 70 mil hectares, o que corresponde a
quase 5% de um total de 59,9 milhões previstos para todo o país pela Companhia
Nacional de Abastecimento (Conab), em seu levantamento mais recente, divulgado
em setembro.
Cerca de 90% dos cafés produzidos nestes municípios são
considerados finos – o que é favorecido pelas condições climáticas – e 20% já
se enquadram num patamar acima, o de especiais. Um mercado que testemunha o
interesse crescente das mulheres, como Bruna.




