Pesquisadores da USP de
Ribeirão Preto em parceria com uma startup instalada no Supera Parque colocaram
em teste um aplicativo que promete ajudar pacientes com diabetes a evitar
alterações graves na concentração de glicose no sangue.
A tecnologia promete servir de alerta para futuros casos
de hipo ou hiperglicemia com base na rotina dos usuários, com dados como
alimentação, atividades físicas e tempo de sono.
Desde 2017, o aplicativo pode ser baixado gratuitamente
na internet e já funciona como um controlador digital do índice glicêmico, mas
a expectativa é de que a função preditiva esteja disponível a partir de 2019. “A
partir dessa digitalização, surgiu um novo conceito que é uma inteligência
artificial capaz de prever hiper ou hipoglicemia. Prevendo esses eventos, a
gente consegue atuar em ações preventivas e reduzir a ocorrência desses
eventos”, afirma Yuri Matsumoto, fundador e CEO da GlucoGear.
No futuro, o sistema pode ser
uma ferramenta importante para evitar complicações graves, afirma a endocrinologista
Maria Cristina Foss de Freitas, responsável pelo Ambulatório de Diabetes do
Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (HCRP) e professora da Faculdade de
Medicina (FMRP). “A grande vantagem do aplicativo é ajudar no
gerenciamento da doença. Quem tem diabetes, independente da idade e do tipo de
diabetes, tem que tomar muitas decisões ao longo do dia e isso fica complicado,
difícil pro paciente”, diz.
Testes
no HC
Ao todo, 40 pacientes com diabetes do tipo 1 e 2 serão
acompanhados por um mês pela equipe no Hospital das Clínicas da USP.
As
informações disponibilizadas por eles são transformadas em gráficos que os
orientam sobre o que fazer ou não fazer para evitar alterações na concentração
de glicose no sangue. “Nesse momento estamos usando o aplicativo pra
coletar informações, principalmente sobre variabilidade glicêmica, o quanto sua
glicemia varia em relação ao tipo de alimento que ingere, à quantidade e número
de aplicações de insulina e medicamentos e a atividade física”, explica Maria
Cristina.
O empresário Plínio Sérgio de
Souza Junior é um dos pacientes que contribuem com a pesquisa. Com a diabetes
controlada, ele considera que a tecnologia será importante no futuro,
principalmente nas situações em que o paciente eventualmente sai da rotina. “Dentro
da minha rotina é fácil, porque sei já o que pode e não pode comer, o que devo
e não devo fazer. Porém, quando você está fora de sua rotina, fora do seu dia a
dia, você tem coisas diferentes que não sabe. Dispondo de um aplicativo pra fazer
uma previsão do que pode acontecer se você comer aquele alimento ou não é o
grito de liberdade pra gente”, afirma.
Predição
da curva glicêmica
Passados os testes, os criadores do sistema pretendem
disponibilizar uma nova versão do aplicativo, hoje disponível para download
gratuito, com a funcionalidade que alerta para as futuras alterações
glicêmicas, além da compatibilidade com sensores glicêmicos e smartwatches.
A
predição da curva glicêmica, segundo a startup, está baseada no histórico de
glicemia do paciente, na quantidade de insulina injetada por ele, na
alimentação e na atividade física.
Além de
melhorar a qualidade de vida dos pacientes, a tecnologia pode ajudar na redução
de custos de tratamento médico e intervenções clínicas ocasionados pelas
complicações sofridas pelos diabéticos, afirma Matsumoto. “Quando a gente
reduz a ocorrência desses eventos, a gente melhora o controle glicêmico do
paciente, melhora o resultado clínico, reduz efeitos adversos e complicações
associadas à doença.”



