Os antibióticos costumam
trazer sentimentos conflitantes aos pais. Ao mesmo tempo em que são vistos como
a bala de prata em muitas ocasiões – sair com uma receita do consultório dá a
sensação de que seu filho vai sarar rápido –, a prescrição indiscriminada é uma
preocupação não apenas da família, mas mundial.
Estima-se que um terço dos
antibióticos seja receitado sem necessidade, de acordo com um estudo da
revista da Sociedade de Doenças Infecciosas Pediátricas, do Reino Unido, que
acompanhou mais de 6,8 mil crianças em 41 países diferentes. E o uso do
medicamento só aumenta: passou de 21,1 bilhões de doses diárias em 2000 para
34,8 bilhões em 2015 nos cinco continentes, um salto de 29%.
Em ranking de 65 nações
divulgado recentemente pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil
aparece na 17ª colocação dos que mais consomem antibióticos (22 doses diárias),
à frente da média dos europeus (18 doses), e de países como Canadá
(17 doses) e Japão (14 doses).
Mas é importante que se diga: desde a descoberta da penicilina, o
primeiro antibiótico, criado pelo médico e cientista escocês Alexander Fleming,
em 1928, os antimicrobianos salvaram milhões de vidas e continuam sendo aliados
fundamentais contra bactérias, das mais “bobinhas” às mais perigosas. Estima-se
que desde a Segunda Guerra, quando os antibióticos começaram a ser utilizados
em maior escala, cerca de 200 milhões
de vidas foram salvas pelo achado de Fleming. O problema hoje é o exagero na
sua prescrição.




