Induzido a erro, mal informado ou desinteressado na realidade? Não se sabe ao certo o que leva o Prefeito de Franca, Gilson de Souza (DEM) a arriscar-se a cair em descrédito maior do que aquele que já cerca seu governo, ao afirmar que a Prefeitura está diminuindo a fila das cirurgias eletivas (que a bem da verdade remontam do início da década, mas que, ao contrário do que ele afirma em declarações públicas, não diminuíram nos dois primeiros anos de seu mandato, iniciado em 2017 e que vai até dezembro do ano que vem).
As declarações recentes do prefeito de que as filas estão sendo diminuídas são contrariadas pela própria Prefeitura, obrigada a publicar em seu site/portal, a relação dos pedidos de cirurgia consideradas não urgentes pelos protocolos da Organização Mundial da Saúde (OMS), mas que são uma verdadeira tortura aos pacientes submetidos a uma longa espera.
Segundo levantamento realizado por este Jornal da Franca nesta terça-feira (1º de janeiro de 2019) o prefeito se contradiz quando afirma que as cirurgias eletivas foram realizadas e diminuíram a longa lista de espera herdada de governos anteriores.

Isso porque, o portal da Prefeitura (www.franca.sp.gov.br) datado de 1º de janeiro de 2019, mostra que 10.864 pessoas continuam na lista oficial para conseguir todo tipo de “eletiva” listada pela própria Secretaria de Saúde da Prefeitura (os últimos dados disponíveis são de novembro 2018).
Se tiver paciência, qualquer cidadão pode percorrer as 388 páginas que contêm os protocolos de requisição das cirurgias eletivas. A conta é simples: cada página tem 28 protocolos de pedidos, todos devidamente numerados e com a data em que foram formalizados.
A lista só não é mais completa, robusta e capaz de jogar por terra o discurso do prefeito porque seu governo não cumpre um requisito básico da transparência pública: não traz o nome dos pacientes como, aliás, já previu uma legislação aprovada na atual legislatura da Câmara de Vereadores, mas vetada pelo próprio Prefeito Gilson de Souza com a anuência de sua maioria de parlamentares no próprio Legislativo.
Na lista podem ser encontrados casos de pacientes que esperam com angústia procedimentos cirúrgicos simples como:
Bucomaxilofacial (tratamento cirúrgico de cisto do complexo maxilo-mandibular), um dos pedidos mais antigos, de 26/10/2010 (isso mesmo, há 08 anos e 2 meses).
Também são muitos os pedidos de cirurgias das vias aéreas superiores, da face, da cabeça e do pescoço (conhecida tecnicamente como adenoidectomia e que são mais de duas centenas de requisições), ou de amigdalectomia (algumas de 2010).
Aliás, somadas as cirurgias de adenoidectomia e de amigdalectomia, elas são mais de 1.000 na lista das 10.864.
As doenças mais recentes são de pacientes que esperam cirurgias e tratamento de doença do ouvido externo médio e da mastoide (de 15 de junho de 2018) e tratamentos de outras doenças do aparelho urinário, de 09 de fevereiro, também de 2018.
Caso não passe do discurso à prática, o Governo Gilson de Souza tem tudo para agregar outros milhares de pedidos de cirurgias eletivas à já extensa lista que ele não consegue reduzir, apesar do discurso que faz, que contrasta de forma incontestável com a realidade.
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