domingo, 13 set 2026 ⛅ Franca/SP 22°C
DólarR$ 5,18
EuroR$ 5,98
Selic14,50%
BitcoinR$ 326 mil

Bolsonaro sanciona lei que permite falta escolar por motivo religioso

Em 2017, MEC já havia mudado dia do Enem de sábado para domingo para não prejudicar estudantes sabatistas

Compartilhar

O presidente Jair
Bolsonaro sancionou a lei que permite alternativas para estudantes que deixam
de comparecer a aulas ou provas por motivos religiosos. A determinação não será
aplicada em instituições de ensino militares.

As escolas, públicas
e particulares, terão um prazo de dois anos para se adequar à medida. A lei,
publicada na edição desta sexta-feira, 04 de janeiro, do Diário Oficial da
União, entra em vigor em um prazo de 60 dias.

A lei beneficia todas as crenças religiosas. A
proposta vale, por exemplo, para fieis das religiões sabatistas, que guardam o
período do por-do-sol da sexta-feira até o do sábado para se dedicar ao contato
com o sagrado, como adventistas do sétimo dia e batistas do sétimo dia.

O texto estabelece
que para garantir o direito é necessário que o aluno avise a escola
previamente. “É assegurado, no exercício da liberdade de consciência e de
crença, o direito de, mediante prévio e motivado requerimento, ausentar-se de
prova ou de aula marcada para dia em que, segundo os preceitos de sua religião,
seja vedado o exercício de tais atividades”, diz o texto sancionado.

No caso da ausência, a instituição de ensino poderá
oferecer ao aluno a reposição da aula ou prova ou a opção de fazer um trabalho
escrito ou outra atividade de pesquisa com tema e objetivo definidos pela
escola. Nenhuma das opções poderá ter custos ao estudante.

A medida não é válida para o ensino militar porque a
modalidade é regulada por lei específica.

Origem

O projeto de lei passou por comissões
da Câmara e do Senado no ano passado, antes de ser aprovado e chegar à sanção
do presidente.

Na Câmara, o projeto de autoria do
deputado Rubens Otoni, teve relatoria da deputada federal Maria do Rosário na
Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde foi aprovado em caráter
conclusivo, ou seja, sem que fosse necessária a votação em Plenário.

No dia da aprovação do projeto, a
deputada disse que a proposta é uma “medida de justiça” aos
estudantes. “Na atual sistemática, eles ficam forçados a escolher entre ser
coerentes com suas crenças ou acessar os benefícios da educação escolar de
forma integral.”

Enem

Em 2017, o Ministério da Educação (MEC) alterou o
formato do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que deixou de ser aplicado em
um fim de semana (sábado e domingo) para ser aplicado em dois domingos
consecutivos. Um dos motivos para a mudança foi a situação de alunos sabatistas
que tinham de aguardar até as 19 horas em uma sala para poder iniciar a prova
de sábado sem ferir seus preceitos religiosos.

Cesar Colleti

O que acontece e como acontece em Franca e região