Paulista de Araçatuba, o professor
Paulo Cesar Stringheta passou a infância em uma fazenda repleta de
jabuticabeiras. “Com muito cuidado, meu nonno fazia questão de
apanhar os frutos e distribuir entre toda a família”, lembra. O avô temia que a
molecada arrebentasse a árvore. Mal sabia ele que a turma aproveitava o escuro
da noite para se esconder em meio aos galhos e saborear as jabuticabas direto do pé.
Passadas algumas décadas, hoje Stringheta entende melhor o zelo do patriarca.
Especialmente depois de tantas descobertas em seu laboratório no Departamento
de Tecnologia de Alimentos da Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais.
De fato, essa espécie genuinamente nacional merece todo o cuidado e apreço do
mundo.
Longe dos pomares, o pesquisador e
sua equipe têm esmiuçado o vegetal e não param de se surpreender. “A fruta é
rica em compostos bioativos com função antioxidante”, destaca. Na lista há a
quercetina, o ácido elágico, além de estruturas químicas inéditas na literatura
científica que fazem da jabuticaba uma variedade singular.
Outro ponto forte diz respeito à
quantidade de antocianinas, classe de ingredientes responsáveis por sua
coloração peculiar. O frutinho brasileiro oferece muito mais delas do que a
uva, festejada mundo afora por essa razão.




