Israel de Oliveira Pacheco, de 30
anos, passou cerca de dez anos preso sob a acusação de roubo e estupro em
Lajeado, no Rio Grande do Sul. Sustentou desde o primeiro dia a sua inocência,
que só foi reconhecida em julgamento da Primeira Turma do Supremo Tribunal
Federal (STF) no dia 18 de dezembro de 2018.
O que convenceu os ministros foi um
cruzamento feito por meio de um banco de perfis genéticos: o DNA encontrado em
uma mancha de sangue na casa da vítima deu positivo para outro suspeito do
caso, que já era investigado por outras duas acusações de estupro.
Casos como esse são cada vez mais
numerosos por causa do cruzamento de materiais genéticos armazenados em bancos
de DNA. Em um ano, o número de investigações policiais que utilizaram esses
bancos cresceu 28,2%, passando de 436, em 2017, para 559, no ano passado.
No discurso de transmissão de cargo na semana passada, o ministro da Justiça e
Segurança Pública, Sérgio Moro, defendeu o Banco Nacional de Perfis Genéticos
(BNPG) como uma das prioridades de sua gestão e disse que o instrumento, que
considera determinante para a resolução de crimes e um inibidor da reincidência
criminosa, “deixe de ser só uma miragem legal”. Moro terá o desafio
de colocar em prática a expansão já pretendida por ministros dos governos Dilma
Rousseff e Michel Temer.




