sexta-feira, 19 jun 2026 ☀ Franca/SP 14°C
DólarR$ 5,18▲ 0,0%
EuroR$ 5,98▲ 0,0%
Selic14,50%▲ 0,0%
BitcoinR$ 326 mil▲ 0,0%

SBP lança campanha de sensibilização para prevenir gravidez precoce

Sociedade Brasileira de Pediatria trabalhará junto a médicos e sociedade com dados e ações diretas

Compartilhar

A Sociedade Brasileira
de Pediatria (SBP) lançou uma campanha para engajar, sensibilizar e fortalecer
a atuação dos pediatras e hebiatras (especialistas responsáveis pela
assistência à saúde dos adolescentes) na prevenção da gravidez precoce.

O lançamento da campanha
antecipa-se ao início da Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na
Adolescência, no dia 1º de fevereiro. A data foi instituída após o presidente
Jair Bolsonaro sancionar a Lei nº 13.798, que acrescenta ao Estatuto da Criança
e do Adolescente um artigo sobre o assunto.

Por meio do site Prevenção da Gravidez na Adolescência,
a SBP apresentará aos médicos e à sociedade dados estatísticos, alertas sobre os
riscos da gravidez precoce e detalhes da lei que instituiu a semana nacional
dedicada ao tema. Também serão distribuídos cards pelas redes sociais e e-mail marketing aos mais de 23 mil associados.

Estarão disponíveis ainda dois documentos científicos destinados
aos pediatras: o guia prático
Prevenção da Gravidez na Adolescência
e o manual de orientação Consulta do Adolescente: Abordagem
Clínica, Orientações Éticas e Legais como Instrumentos ao Pediatra”
,
ambos de autoria do Departamento Científico de Adolescência da SBP.

Continua depois da publicidade

De acordo com a presidente da SBP, Luciana Rodrigues Silva, com
a campanha, a entidade quer alertar todos os pediatras brasileiros sobre sua
importância no processo. Para isso, a SBP está também estimulando todas as suas
filiadas estaduais a fazer um movimento com discussões sobre o tema. “Queremos
que o pediatra seja protagonista nessa ação de prevenção. Que, em toda
consulta, ele possa alertar e orientar adequadamente não só o adolescente como
seus pais.”

A médica ressaltou que nas escolas brasileiras não há informação
e educação sexual de maneira adequada e que muitas crianças e adolescentes não
têm um pediatra que os acompanhe. “O pediatra tem um papel
fundamental na prevenção de doenças, na melhora da qualidade de vida e na
orientação sobre a saúde da criança. Seu papel é importante também no
acompanhamento do adolescente, na prevenção do uso de drogas, da
gravidez.”

Para Luciana, a educação sexual deve começar em casa, junto com
a família, mas é sabido que há uma parcela significativa da população que não
tem nível educacional adequado e não se sente confortável para passar as
informações aos filhos. “A adolescência vai dos dez aos 20 anos e nesse
período é preciso ter informação sobre os riscos das doenças venéreas, da gravidez,
sobre a necessidade de preservativo, sobre atividade física”. 

Segundo Luciana, em muitas localidades brasileiras, as crianças
e adolescentes só são atendidos na emergência e quando estão doentes. “Isso vai
contra nossa ideia de que o pediatra tem que acompanhar esses indivíduos de
maneira sistemática e periódica. Precisamos ter gestores e leis para isso, para
que eles compreendam que, se queremos fazer um futuro diferente
para o Brasil, temos que cuidar das nossas crianças hoje.”

A presidente da SBP ressaltou que a época da gravidez deve ser
escolhida pelos pais, em um momento de maior maturidade, e não como um acidente
que ocorre nos primeiros anos da vida sexual da adolescente. “É inadmissível
que interrompamos a vida de uma adolescente aos 12, 13 anos. Que ela deixe de
ir para a escola porque engravidou. É preciso cumprir o ciclo do
desenvolvimento, da infância, da adolescência, estudar, trabalhar, ter uma
perspectiva de vida, para depois escolher ter um filho.”

A médica disse ainda que normalmente a menina é mais prejudicada
pela gravidez não planejada, porque o menino nem sempre tem maturidade para
assumir o papel de pai nessa idade. “Nos hospitais públicos, muitas vezes
chegam meninas de 17 anos já com três filhos, às vezes um de cada pai. Elas não
têm expectativa de trabalho, não têm com quem deixar os filhos, e isso é muito
ruim também para essas crianças.”

Além do aspecto social envolvido, a gravidez na adolescência
está associada a uma série de riscos para a saúde da mulher e do bebê. Elevação
da pressão arterial e crises convulsivas (eclâmpsia e pré-eclâmpsia) são alguns
dos problemas de saúde que podem acometer a jovem grávida. Para o bebê, os
problemas mais comuns são a prematuridade e o baixo peso ao nascer.

Panorama

De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), na
América Latina e no Caribe, a taxa de gravidez entre adolescentes é a segunda
mais alta do mundo, ficando atrás somente da África Subsaariana. Anualmente,
ocorrem em média 66 nascimentos para cada mil meninas com idade entre 15 e 19
anos, enquanto o índice mundial é de 46 nascimentos.

Segundo os dados do Sistema de Informação sobre Nascidos Vivo
(Sinasc), do Ministério da Saúde, o percentual de gravidez na adolescência caiu
17% no Brasil em 2015. Em números absolutos, a redução foi de 661.290 nascidos
vivos de mães entre 10 e 19 anos em 2004 para 546.529 em 2015. No entanto,
apesar dos avanços, o número ainda é considerado grande, representando cerca de
18% do total de nascidos vivos no país.

Cesar Colleti

O que acontece e como acontece em Franca e região