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Franca já registra quase mil casos suspeitos de dengue e população se preocupa

Várias cidades próximas a Franca já contam com o sorotipo 2 da dengue, forma mais agressiva da doença

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​Segundo a Secretaria Municipal de Saúde de Franca, a cidade já registra 885 casos suspeitos de dengue, que estão em análise. Até o momento, 25 casos autóctones foram confirmados e 3 importados. No entanto, acredita-se que estes números sejam bem maiores.

A situação é tão crítica, que a população francana está em estado de alerta. E ela não está sozinha, principalmente porque o número de casos prováveis de dengue voltou a crescer no país todo em 2018, após dois anos em queda, apontam dados divulgados pelo Ministério da Saúde no último dia 28 de janeiro. Balanço feito pela equipe técnica da pasta mostra que, em todo o ano passado, foram registrados 266 mil casos prováveis da doença. Já em 2017, foram 239 mil notificações, o que equivale a um aumento de 11%.

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O levantamento considera os casos confirmados em exames e outros de pacientes que, em diagnóstico clínico, apresentaram sintomas e quadro correspondente à dengue em regiões onde já havia outros casos – daí serem considerados prováveis.

Ainda que pequeno, o aumento interrompe uma sequência de queda no número de casos da doença no país, situação que vinha sendo registrada nos balanços anuais desde 2016.

Até então, essa redução era atribuída ao reforço nas ações de controle do mosquito transmissor, o Aedes aegypti, desde a entrada do vírus da zika. Outro fator, segundo especialistas, era o próprio ciclo epidemiológico da dengue. Isso porque, após períodos de forte epidemia, há uma redução no número de pessoas suscetíveis a cada subtipo de vírus em circulação.

Agora, o aumento volta a trazer alerta para o risco de novos casos da doença neste ano, sobretudo no verão, período em que aumenta a infestação do mosquito transmissor.

Em 2018, o aumento foi puxado por 12 estados, a maioria nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Lideram essa lista Goiás, com 86 mil casos, seguido de Minas Gerais, Rio Grande do Norte e São Paulo.

Avanço em São Paulo

O Ministério da Saúde ainda não divulgou dados sobre casos prováveis neste ano. Em São Paulo, no entanto, o governo João Doria colocou o Estado em situação de alerta devido ao aumento de casos. A avaliação ocorre devido a maior circulação do sorotipo 2 do vírus da dengue em cidades do Norte e Nordeste do Estado. Até o momento, a circulação do sorotipo 2 da dengue foi detectada em 19 cidades do estado, colocando São Paulo em alerta. Desde 2016, apenas o sorotipo 1 da dengue circulava nos municípios paulistas. Pessoas infectadas por sorotipos diferentes em um período de seis meses a três anos podem ter uma evolução para formas mais grave da doença. De acordo com o governo do estado, foram contabilizados 610 casos de dengue até o dia 15 de janeiro. O número é similar ao verificado no ano passado e, segundo a Secretaria Estadual de Saúde, não representa um quadro preocupante.

“Apesar de não ser ainda a maioria dos casos, ele [dengue tipo 2] está circulando já de maneira mais consistente nos municípios da região de Araçatuba, São José do Rio Preto e um pouco em Ribeirão Preto”, disse o infectologista Marcos Boulos, coordenador de Controle de Doenças da Secretaria Estadual de Saúde.

Dos 645 municípios paulistas, o sorotipo 2 foi detectado em Andradina, Araraquara, Barretos, Bauru, Bebedouro, Catanduva, Espírito Santo do Pinhal, Indiaporã, Ipiguá, Itajobi, Mirassol, Pereira Barreto, Piracicaba, Pirangi, Ribeirão Preto, Santo Antônio de Posse, São José do Rio Preto, Uchoa e Vista Alegre do Alto.

Ele disse que a dengue tipo 2 não é “especialmente pior”. O risco está relacionado à superposição de vírus. “Estava circulando o tipo 1 até agora, e quando circula um tipo e aparece um novo sorotipo do vírus, pode ser 2, 3 ou 4, no caso é o 2, aí pode ter uma evolução para maior gravidade para quem já teve dengue 1”, explicou.

O infectologista esclareceu que não é mais utilizada a nomenclatura dengue hemorrágica, pois nem todos os casos graves de dengue evoluem com hemorragia.

Segundo Boulos, as equipes de saúde das cidades em que a circulação do tipo 2 foi identificada estão sendo orientadas a dar uma assistência mais cuidadosa aos pacientes com suspeita da doença. “Em um caso de dengue no ano passado, quando só circulava o tipo 1, se o paciente estava bem, se tomava líquido pela boca, mandava para casa e, se tivesse alguma coisa, voltaria. Hoje, para fazer isso, eu tenho que ter convicção. Talvez ficar mais tempo com o paciente no hospital para acompanhar a evolução”, explicou.

O infectologista disse que não há uma explicação para o início da circulação do novo sorotipo. “É aleatório. Esses vírus circulam no mundo todo. Quando você tem o Aedes [aegypti], que é o nosso caso, se vem uma pessoa que está com dengue 2 ou 3 e ele é picado pelo vetor, pode replicar esse vírus”, explicou. A melhor forma de prevenção, portanto, independentemente do sorotipo, é evitar a proliferação do mosquito.

De acordo com Boulos, há quatro sorotipos de dengue, sendo que três deles circulam no Brasil. Em São Paulo, neste momento, circulam os sorotipos 1 e 2. “Houve uma detecção do tipo 3 agora na região de Araçatuba, mas um caso só. Então se for causar problema, é daqui 2 ou 3 anos, agora não. Nós não temos o 3”, destacou.

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