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Ponte entre Batatais e Restinga passa a se chamar Maurício Sandoval Ribeiro

Lei aprovada que dá nome do ex-prefeito de Franca ao local, é de autoria do deputado Roberto Engler

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​Após dois anos de sua morte, o ex-prefeito de Franca, Maurício Sandoval Ribeiro, recebeu uma justa homenagem através do deputado estadual Roberto Engler. Ele é autor da lei 216/2018 que dá o nome do ex-prefeito de Franca, à ponte localizada sobre o Rio Sapucaí no quilômetro 372 da Rodovia Cândido Portinari, na divisa entre Batatais e Restinga. A proposta havia sido apresentada em abril de 2018. “Além de um amigo, o Maurício foi um homem público carismático e dedicado, sem dúvida uma das grandes figuras políticas da história de Franca. É com muita alegria que conseguimos aprovar esse projeto de lei e que registramos o quanto o trabalho dele foi importante para o desenvolvimento de Franca e da região também”, disse o deputado Roberto Engler.

Filho de Nelson Deocleciano Ribeiro e Maria Augusta Sandoval Ribeiro, Maurício Sandoval Ribeiro nasceu em 1940, em Franca. Estudou nas escolas estaduais Coronel Francisco Martins e Torquato Caleiro e se formou em Direito pela Faculdade de Direito de Franca. 

Ex-bancário, trabalhou no Banespa desde 1964, tinha passado por Uberaba e se fixara em Franca, sua terra natal. 

De temperamento afável, Maurício foi escolhido pelos seus companheiros do Grupo Novo candidato a prefeito, sem nunca ter tido nenhuma participação política. 

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Dos seis nomes em disputa na época, certamente seria o último, por falta de dinheiro para a campanha, pela experiência e pela força dos adversários.

Mas ninguém combina a história com antecedência. Nos últimos dias de campanha, o nome de Maurício foi tomando conta da cidade e no dia das eleições ele era o preferido da população. 

Foi eleito prefeito, com grande vantagem. Tinha 36 anos, a esposa Regina, os filhos Maria Sílvia, Luís Daniel e Juliano e um grupo de amigos prontos para ajudá-lo no mandato.

Maurício Sandoval Ribeiro foi prefeito de Franca por 10 anos, em dois mandatos. Foi deputado estadual por dois anos. 

Nos seis primeiros anos de governo, Maurício aproveitou o trabalho realizado pelos prefeitos que o antecederam e deixou as bases para o progresso permanente de Franca. 

Ressaltava que se teve êxito no seu trabalho, era graças a Deus, a uma assessoria de alto nível, aos funcionários da Prefeitura, ao apoio da Câmara Municipal e dos demais segmentos da cidade.

GRANDES FEITOS NA PREFEITURA

No seu governo, ampliou as marginais, construiu o Terminal Rodoviário, terminou o Teatro Municipal, o prédio do Pronto Socorro, investiu como nunca em saneamento básico, implantando as redes de água e esgotos em dezenas de bairros, fez em seis anos mais de dois milhões de metros quadrados de asfalto, mais do que o realizado em toda a história de Franca, deixando a cidade com mais de três milhões de metros. 

Construiu o Parque Vicente Leporace, com mais de 2.200 unidades, e conseguiu o prédio e a reforma do Champagnat, além de obter a captação de águas do rio Canoas e depois a Estação de Tratamento de Esgotos, assim como instalou a Usina de Reciclagem de Lixo, uma das quatro primeiras do Brasil. 

O maior mérito, todavia, foi a política urbana. No seu primeiro governo, aprovou 73 novos loteamentos, que acrescentaram dois terços ao então perímetro urbano. 

Surgiram neste período, cidades-bairros como o complexo Aeroporto, City Petrópolis, São Joaquim, Noêmia, São Luiz, Dermínio, Portinari, Paulistano, inclusive com um Distrito Industrial, dentre outros. 

Graças à sua política, os mais simples puderam comprar seu terreno e fazer sua casa sem depender da política habitacional, que praticamente não existia. Graças a isso, Franca hoje não tem favelas.

Em 1994, Maurício Sandoval Ribeiro disputou a eleição para deputado federal, teve expressiva votação, mas não foi eleito. Em 1996 foi candidato a vice-prefeito na chapa de Joaquim Pereira Ribeiro. 

Deixou a política e começou uma nova fase da sua vida. A fase da introspecção, da reflexão interna, de busca do conhecimento de Deus. A sua vida era cheia de significados e ele queria entender o que lhe acontecia.

Atribulado com a vida profissional, com a vida familiar e com problemas de saúde, tanto físicos como espirituais, para os quais não estava preparado, Maurício olhava a família, brincava com o neto e queria respostas para entender o que lhe acontecia. 

A RELIGIÃO

Nisso, entra na sua vida o amigo Pedro e Neusa, que lhe convidam para um estudo bíblico. A missionária Maria do Céu lhe deu condições de entender o que estava acontecendo, e isso tudo fez com que Maurício passasse a ser uma das Testemunhas de Jeová.

“Foi o dom de Deus iluminando o meu caminho. Se não acontecesse isso, certamente teria morrido ignorante das coisas de Deus”, dizia ele.

Ficou mais entusiasmado quando conheceu a estrutura da sua religião, que existe no mundo todo, publica revistas, livros e Bíblias em 140 idiomas, está estruturada em cima de estudos sérios dos textos bíblicos. 

Maurício se integrou à nova religião, onde dizia ter encontrado a paz e o entendimento da vida. “Sou outra pessoa, estou em paz, entendo a missão que Deus me deu e faço de tudo para levar essa palavra às outras pessoas”, fazia questão de reafirmar.

Fazia inclusive o que se chama de trabalho de campo, visitando residências, conversando com pessoas. A união de seus irmãos de fé possibilitou o surgimento de vários salões do reino em Franca, muitos deles construídos no regime de mutirão, no prazo de 21 dias.

Na suas práticas cotidianas, Maurício e Regina dedicavam grande parte de suas vidas a Deus, com o estudo e a divulgação das escrituras sagradas. 

Dizia ter outra disposição e a vida que sempre procurou, com paz interior, vida afetiva e conjugal em plena harmonia, com a extrema valorização da família, cada vez mais próximo dos filhos e dos quatro netos, procurando levar uma mensagem de fé e de vida sadia.

Foi com essa paz que Maurício Sandoval Ribeiro faleceu por volta das 3h da madrugada de domingo, 18 de junho, de 2017, aos 77 anos de idade.

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