Segundo um levantamento
feito pela Nielsen — empresa global de análise de consumo — as mulheres são
responsáveis pelas compras em 96% dos lares brasileiros.
Mesmo chefiando apenas
37% deles, coube a elas, portanto, reagir à crise. Para tal, ainda de acordo
com a pesquisa, elas diminuíram o lazer fora de casa e as compras de roupas,
trocaram marcas por outras mais baratas e reduziram o uso de gás e energia
elétrica.
Há uma cultura de
organização doméstica há muitos séculos mais voltada para as mulheres, que
naturaliza uma divisão entre gêneros. Assim, existe uma percepção de que as
mulheres tipicamente conseguem distribuir melhor o orçamento para que chegue a
todos os componentes da família.
Essa solidariedade intrafamiliar faz com que
sejam elas a receber, por exemplo, os benefícios dos programas de transferência
de renda, em geral. Mas é um trabalho invisível e estressante — explica a
professora de Economia, Vivian Almeida. O trabalho prova uma capacidade pouco
reconhecida nas mulheres: a gestão econômica. “É
interessante perceber que a economia produtiva, como o mercado de trabalho
formal, só existe porque tem alguém segurando essa economia que não é visível:
em geral, as mulheres”, acrescenta ela.




