Você sabia que mais crianças são diagnosticadas com autismo que Aids, câncer e diabetes juntos? Apesar de não existir um número oficial, estima-se que dois milhões de pessoas apresentem algum grau de autismo no Brasil e 70 milhões no mundo. Mas a ignorância a respeito da doença está longe de ser incomum. E as pesquisas falam por si: estima-se que 90% dos brasileiros com autismo não tenham sido diagnosticados. E Franca não foge à regra: não há dados porque muitos se enquadram no espectro, mas não possuem o diagnóstico. No entanto, atualmente a APAE- Franca atende a 77 autistas em seu Núcleo de Atendimento Especializado ao Autista, onde contam com atendimento multiprofissional com terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogas, psicólogas e pedagogas.
A maior dificuldade além do preconceito é a falta de diagnóstico. Isto porque ainda não existe um exame para detectar o distúrbio. O diagnóstico de autismo se baseia em dados clínicos – história e observação do comportamento e critérios estabelecidos por DSM-IV – Manual de Diagnóstico e Estatística da Sociedade Norte-Americana de Psiquiatria – e pelo CID-10 – Classificação Internacional de Doenças da OMS, Organização Mundial de Saúde. Os exames complementares permitem apenas investigar a presença de doenças que sabidamente estão associadas com autismo, como síndrome de rubéola congênita, síndrome de Down, síndrome de West, esclerose tuberosa, síndrome do X-frágil, entre outras. Em 70% dos casos não se encontra qualquer doença associada, e os exames radiológicos, metabólicos ou genéticos – são normais.
O que é o autismo
Durante décadas, predominou o conceito de que o autismo era uma doença psicológica, a qual se baseava na dificuldade de relacionamento entre mãe e filho e, consequentemente, a criança não teria um desenvolvimento normal. Nos últimos 15 anos, o conceito de autismo mudou. Inclusive foi estabelecido no dia 2 de abril, o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo. Segundo a CID-10, o autismo é uma disfunção neurológica de base orgânica, que afeta a sociabilidade, a linguagem, a capacidade lúdica e a comunicação. Mais recentemente, o termo que tem sido usado por muitos profissionais para descrever crianças que apresentam estas características tem sido TEA – Transtorno do Espectro do Autismo. TEA não é um termo médico, mas uma maneira prática de descrever um grupo de crianças com semelhanças na sua maneira de processar as informações e entender o mundo. “O autismo se instala nos três primeiros anos de vida, quando os neurônios que coordenam a comunicação e os relacionamentos sociais deixam de formar as conexões necessárias”, explica o médico coordenador do Programa de Transtornos do Espectro Autista do Instituto de Psiquiatra do Hospital das Clínicas de São Paulo, Estevão Vadasz.
Os tratamentos
Quanto antes os pais identificarem as características e buscarem ajuda, melhor. O tratamento iniciado antes dos três anos de idade, traz resultados expressivos no desenvolvimento da criança com autismo.




