Para um dos psicólogos mais conceituados da história, a empatia é muito
mais do que um sentimento, ela é um processo. Carl Rogers, um dos precursores
da abordagem humanista da psicologia, defendia que o modo empático é complexo,
pois exige “penetrar no mundo perceptivo de outra pessoa e se sentir em casa”.
A profundidade dessa aptidão, defendida há décadas pelo estudioso
norte-americano, foi reforçada em dois estudos científicos realizados
recentemente. Em um deles, pesquisadores observaram que a empatia é, muitas
vezes, inconscientemente evitada por causa do esforço mental que exige do
indivíduo.
Já uma segunda análise, mostra que a ação empática de poucos pode “espalhar”
esse sentimento em grupos. Para especialistas, os novos dados podem ajudar em
estratégias que ajudem a impulsionar esse tipo de atitude altruísta na
sociedade.
A empatia, a capacidade de compreender os sentimentos de outra
pessoa, é vista como uma virtude, pois encoraja comportamentos de ajuda. Mas,
de acordo com os cientistas, existe uma suspeita de que as pessoas geralmente
não querem ser empáticas. “Há uma suposição comum de que os indivíduos sufocam
sentimentos de empatia porque podem ser deprimentes ou dispendiosos, como fazer
doações para caridade”, explicou ao Correio Daryl Cameron, pesquisador da
Universidade de Penn State, nos Estados Unidos, e um dos autores do estudo
publicado na revista Journal of Experimental Psychology: General. “Nesse
estudo, descobrimos que as pessoas basicamente não querem fazer o esforço
mental para sentir empatia em relação aos outros, mesmo quando isso envolve
emoções positivas”, ressaltou o cientista.




