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Estratégia da guerra contra os mosquitos contestada por cientistas

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DengueZicaMicrocefaliaMaláriaFebre Malária são algumas das doenças transmitidas por mosquitos porém, se todos eles foram exterminados com venenos, a própria vida corre perigo: a maioria dos mosquitos têm uma função ecológica na cadeia alimentar e na polinização, poucos deles na verdade são transmissores de dengue e outras doenças.


 

Veja nesta matéria que o inimigo nº 1 da saúde pública não são os mosquitos...

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As informações de especialistas não deixam dúvidas, é preciso bom senso na guerra contra os mosquitos:  existem no mundo 3.500 espécies conhecidas deles, mas a maior parte, mais de 90% deles não incomodam os humanos, vivendo de plantas e néctar de frutas. Somente as fêmeas de 6% das espécies sugam o sangue de humanos para ajudá-las a desenvolver seus ovos. Entre elas, apenas metade carrega parasitas que causam doenças em humanos. Mas o impacto dessas cem espécies que são fatais é devastador, conclui debate da BBC:  “Metade da população global corre risco de contrair uma doença transmitida por mosquitos”, diz Frances Hawkes, do Instituto de Recursos Naturais da Universidade de Greenwich: “Os mosquitos têm realmente um impacto no sofrimento dos humanos”.

  • Aedes aegypti – transmite doenças como a zika, febre amarela e dengue; originário da África mas encontrado em em regiões tropicais e subtropicais pelo mundo
  • Aedes albopictus – transmite doenças como febre amarela, dengue e febre do Nilo; originário do Sudeste Asiático mas é encontrado em regiões tropicais e subtropicais pelo mundo
  • Anopheles gambiae – também conhecido como mosquito africano da malária, a espécie é uma das maiores transmissoras da doença

É importante controlar e diminuir as espécies de mosquitos transmissoras de doenças, mas...

A bióloga Olivia Judson vai direto ao ponto e apoia o extermínio de apenas 30 espécies  entre as 3.500 existentes de mosquitos de todos os tipos. Ela diz que esta guerra salvaria um milhão de vidas e só diminuiria a diversidade genética da família dos mosquitos em 1%., “então, deveríamos considerar esta possibilidade de exterminar as 30 espécies que transmitem doenças e morte”, argumentou esta cientistas ao site e jornal New York Times.  Na Grã-Bretanha, cientistas da Universidade de Oxford e a empresa de biotecnologia Oxitec modificaram geneticamente os machos do Aedes aegypti, fazendo com que carregassem um gene que faz com seus filhos não se desenvolvam corretamente. A segunda geração morre antes de se reproduzir e começar a transmitir as doenças.  Cerca de três milhões desses mosquitos geneticamente modificados foram soltos nas Ilhas Cayman entre 2009 e 2010. Segundo a Oxitec, o resultado foi positivo, houve uma redução de 96% no número de mosquitos se comparado a áreas próximas. Uma experiência semelhante que está sendo feita no interior do Brasil, na cidade de Jacobina, na Bahia, ela reduziu a presença do mosquito em 92%. 

Há um efeito colateral decorrente da eliminação de mosquitos radicalmente?

A maioria dos mosquitos são polinizadores e integram a cadeia alimentar…

  • Phil Lounibos, entomólogo da Universidade da Flórida, acredita que sim. Para ele, um amplo processo de erradicação seria “perigoso e poderia ter efeitos indesejados”. Primeiro, porque os mosquitos, que se alimentam principalmente de néctar de plantas, são polinizadores importantes. Depois, porque eles também servem de alimentos para pássaros e morcegos e suas larvas são consumidas por peixes e sapos. Por isso, sua erradicação poderia ter efeitos em toda a cadeia alimentar na avaliação de Lounibos.  Há quem acredite que esses dois papéis dos mosquitos – na cadeia alimentar e como polinizadores – poderiam ser rapidamente ocupados por outros insetos. “Não ficamos em uma ‘terra arrasada’ toda vez que uma espécie desaparece”. Para Lounibos, porém, o fato desse nicho ser preenchido por outra espécie é parte do problema. Ele alerta para uma real possibilidade de os mosquitos serem substituídos por insetos “igualmente ou ainda mais indesejados do ponto de vista de saúde pública”. E diz que, no caso, a substituição poderia até disseminar mais doenças, e de forma mais rápida do que ocorre hoje. Na avaliação do escritor de ciência David Quammen os mosquitos ajudam a limitar o impacto destrutivo dos homens na natureza: “São os mosquitos que fazem florestas tropicais serem praticamente inabitáveis para os humanos e este fato tem ajudado de maneira direta a conservação da natureza”. Quammen lembra que essas florestas, que abrigam um grande número de espécies de plantas e animais, estão sob forte ameaça de destruição por culpa dos homens ou dos interesses dos países e que nada, nada fez mais para retardar essa catástrofe nos últimos 10 mil anos que a ação dos mosquitos, mesmo porque mais de 90% deles não transmitem doença nenhuma. Além disso, destruir uma espécie não é um assunto apenas científico, mas também filosófico. “O homem tem sido na história da ecologia a espécie mais violenta e destrutiva, em certo sentido a humanidade é pior do que os mosquitos”, é o que defende por aqui no blog Folha Verde News, o repórter ligado ao movimento ecológico, científico e da não violência, Antônio de Pádua Silva Padinha.  Há também quem argumente que chega a ser inaceitável eliminar deliberadamente toda uma espécie apenas porque 3,5% dela é perigosa para os humanos, quando os humanos são perigosos para tantas e quase todas as outras espécies de vida: “Nessa linha, eliminar os mosquitos radicalmente seria do ponto de vista moral errado”, diz Jonathan Pugh, do Centro Uehiro de Ética Prática da Universidade de Oxford. Pugh  lembra, porém, que esse não é um argumento que possa ser aplicado genericamente. Toda essa discussão hoje chega a ser hipotética, pois apesar de experiências recentes terem conseguido reduzir o número de mosquitos em algumas áreas, muitos pesquisadores dizem que eliminar completamente uma espécie animal seria impossível e perigoso para o já sutial equilíbrio ecológico do planeta. “Não tem solução milagrosa, pesquisas de campo com mosquitos geneticamente modificados tiveram sucesso moderado mas exigiram a liberação de milhões de insetos para cobrir uma pequena área, o que precisa urgente é haver uma evolução da ciência, da pesquisa, da tecnologia humana, a bem da saúde e da sobrevivência da nossa espécie dentro de todos os ecossistemas da natureza. “Enfim, o problema maior, o drama, a tragédia principal não são os mosquitos mas os homens e em especial, a falta de uma gestão socioambiental sustentável, capaz de equilibrar a economia com as medidas de prevenção de doenças e de aumento da saúde, harmonizando assim a ecologia da vida”, conclui por aqui no nosso blog Folha Verde News o ecologista Padinha considerando uma paranoia da mídia e uma violência a mais dos políticos esta guerra sem trégua a todos os mosquitos, sejam ou não transmissores de doenças: “Eles são muito piores do que os mosquitos”. 
  • A falta de gestão ambiental sustentável e de saneamento básicos: piores do que os mosquitos

    É urgente preservar e aumentar a população de pássaros, predadores de mosquitos e insetos

    Amanhã aqui neste microblog de Ecologia mais informação e para você onde quer que você esteja, muita paz, Padinha!

Cesar Colleti

O que acontece e como acontece em Franca e região