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SUS realiza primeira cirurgia para reverter diabetes tipo 2

Intervenção foi feita em mulher que não respondia ao tratamento contra a doença e corria o risco de ficar cega

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O Hospital Regional da Asa Norte (Hran), no Distrito
Federal, realizou a primeira cirurgia para reverter o diabetes
tipo 2 pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo informações, a intervenção foi realizada em
uma paciente que não respondia ao tratamento clínico contra a doença e corria o
risco de ficar cega.

“Estamos sendo inovadores em Brasília. A cirurgia é
efetiva para o diabetes, e muito segura. Com isso, podemos evitar mortes,
sequelas, infarto e diminuir o custo dos medicamentos que esses pacientes usam
a vida toda. Pelo Ministério da Saúde, são gastos em torno de R$ 1 bilhão
somente com medicamentos”, informou o cirurgião Renato Teixeira, responsável
pela operação e coordenador do Serviço de Cirurgia do Diabetes do Distrito
Federal.

Cirurgia

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A cirurgia, considerada minimamente invasiva,
consiste em cortar o estômago em duas partes e o intestino em forma de Y. Em
seguida, uma dessas partes é ligada ao estômago. Isso faz com que o alimento
chegue mais rápido ao final do intestino.

A intervenção beneficia o paciente com diabetes tipo
2, pois acelera a produção da incretina, substância que atua no pâncreas e o
faz produzir insulina mais rápido, reduzindo, desta forma, os níveis de glicose
no sangue.

Desde 2017 o Conselho Federal de Medicina (CFM) aprovou
a cirurgia metabólica, também conhecida como cirurgia bariátrica ou de redução
de estômago, para o tratamento do diabetes tipo 2.

De acordo com a Resolução nº 2.172/2017, são elegíveis à
intervenção pacientes com índice de massa corpórea (IMC) entre 30 kg/m2 e 34,9
kg/m2 (o que inclui pessoas com sobrepeso e obesidade grau I), que não tenham
conseguido controlar a doença com medicamentos.

Além do IMC e do tratamento prévio, os pacientes
poderão ser elegíveis ao procedimento se apresentarem: idade mínima de 30 anos
e máxima de 70 anos; diagnóstico definido de diabetes tipo 2 a pelo menos de 10
anos e não possuir contraindicações para o procedimento cirúrgico.

Até a publicação dessa resolução, o procedimento era
realizado no país apenas em caráter experimental ou em pacientes com IMC
mínimo de 35 (o que configura obesidade moderada) e doenças associadas. A
mudança definida pelo CFM segue padrões já adotados em outros países da Europa
e nos Estados Unidos e tem como objetivo o controle do diabetes.

O objetivo do serviço de cirurgia do diabetes é
oferecer uma opção segura e efetiva ao paciente com o tipo 2 da doença, não
obeso grave, antes que venha a falecer ou ter sequelas com a falta de
efetividade do tratamento clínico. As complicações associadas à doença incluem
cegueira, infarto, insuficiência renal, entre outras.

Diversos estudos já mostraram que a cirurgia
metabólica é segura e eficaz no tratamento do diabetes, com resultados
positivos de curto, médio e longo prazos. Alguns benefícios da intervenção,
além do controle da doença, são a redução do risco cardiovascular e perda de
peso significativa e sustentada a longo prazo.

Diabetes tipo 2

O diabetes tipo 2 ocorre quando o organismo de uma
pessoa torna-se resistente à insulina, o hormônio que controla os níveis de
glicose no sangue. O excesso de peso é um fator de risco importante para a
doença.

Em geral, a doença é controlada por meio da aplicação de
injeções de insulina e de outros medicamentos. Mas, nos últimos anos, diversas
linhas de pesquisa têm analisado o papel da cirurgia bariátrica ou metabólica,
popularmente conhecida como redução de estômago, para o controle eficaz da
doença em longo prazo.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o
número de adultos com diabetes tipo 2 quadruplicou nas últimas quatro décadas,
passando de 108 milhões de pessoas em 1980 para 422 milhões atualmente. No
Brasil, a porcentagem de pessoas com a doença passou de 5% para 8,1% no mesmo
período. Em 2014, foram 71.700 mortes causadas no país pela doença.

Cesar Colleti

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