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Mercosul e UE: Café da Alta Mogiana é protegido contra pirataria em acordo

Produtores da região de Franca, Ribeirão Preto e Sul de Minas Gerais comemoram medidas

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Reconhecido
pelo sabor leve e caramelado, o Café da Alta Mogiana, produzido na região de
Ribeirão Preto e no Sul de Minas Gerais, está entre os produtos protegidos pelo
acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.

Isso
significa que a marca não pode ser reproduzida em outros países, ou seja, não
serão aceitas imitações, a conhecida pirataria.

O texto é preliminar, deve passar por revisões e ainda
depende da aprovação de todos os países envolvidos para entrar em vigor.
Entretanto, o presidente da Alta Mogiana Specialty Coffee (AMSC), Márcio Luiz
Palma Resende, diz que a medida demonstra o reconhecimento da qualidade da
produção agrícola regional.

Segundo
Resende, que também é cafeicultor, o termo “Alta Mogiana” remete à Companhia
Mogiana de Estradas de Ferro, que funcionou de 1872 a 1971. Com 2 mil
quilômetros de extensão, a ferrovia ligava o triângulo mineiro ao porto de
Santos (SP), passando por toda a região noroeste e centro-oeste de São Paulo. “A
gente divide a área em baixa Mogiana, média Mogiana e alta Mogiana. Isso não
tem nada a ver com altitude em relação ao nível do mar. A baixa Mogiana fica
mais ao sul, a média próxima a São Sebastião da Grama, e a alta onde está
Ribeirão Preto. Tem a ver com a posição geográfica dentro do estado de São Paulo”,
explica.

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Resende
destaca, por outro lado, que nem todo café produzido na região considerada Alta
Mogiana recebe essa certificação. O selo só é concedido pela AMSC após
avaliação criteriosa das características do produto, incluindo manejo no campo,
sabor, aroma, qualidade, entre outros itens de procedência.

O presidente da AMSC explica que, de acordo com a
avaliação sensorial do barista, que é o especialista em cafés de alta
qualidade, o produto pode receber de 0 a 100 pontos. São considerados especiais
aqueles cujas notas ultrapassam 80 pontos. Apenas 12% dos cafés produzidos no
mundo são considerados especiais.

Atualmente, a AMSC conta com 90 associados em 15
municípios paulistas e oito mineiros. Junta, a região da Alta Mogiana produziu
3 milhões de sacas de café em 2018. Mas, entre aqueles que detêm o selo “Café
da alta Mogiana”, são 200 mil sacas do grão especial. 

Desse total, 60% foram
exportados e a Europa é um dos principais compradores. “Há
mais de 200 anos, pelo menos, existe a produção de café na nossa região. É
importante a gente ter garantido a nossa indicação geográfica, de procedência,
para que não haja falsificação no mercado externo. Queremos ser reconhecidos
por aquilo que sabemos fazer e fazemos muito bem feito”, diz Resende.

Isenção tarifária

Quando estiver totalmente implementado, o acordo vai retirar
tarifas de 91% dos produtos que a União Europeia exporta para o Mercosul em 10
anos. Em sentido contrário, a isenção tarifária atingirá 92% dos itens
exportados. Produtos agrícolas brasileiros, como frutas, óleos vegetais e café
solúvel serão beneficiados pela medida.

Entretanto,
alguns produtos ficarão sujeitos a uma cota específica, como arroz, cujo limite
será de 60 mil toneladas, e mel, restringido a 45 mil toneladas.

Os
parâmetros para a exportação de café convencional, em commodities, ainda não
foram divulgados, mas a AMSC espera que sejam estendidos aos cafés especiais. “A
proteção não é garantia de aumento de exportação, apenas a segurança de que não
vamos perder a nossa identidade”, explica Resende. “É muito possível que as
mesmas regras tarifárias para os cafés commodities sejam aplicadas aos
especiais, como tarifa, facilidade para entrar no mercado europeu, etc. Mas, é
tudo muito amplo ainda”, diz Resende. 

Competição

Empresário e fundador do grupo “Cafés da Alta”, que reúne
nove produtores da região de Franca, Bruno Catalani Kairala explica que o
acordo comercial vai garantir competitividade aos cafés especiais no mercado
europeu. Entretanto, isso não significa mais ganhos, porque o produto
brasileiro já é o mais barato no exterior.

Kairala
realiza uma modalidade de comércio conhecida como “direct trade”, ou venda
direta, uma espécie de terceirização: agricultores e processadores negociam
diretamente com os torrefadores de café. Isso garante mais retorno aos
cafeicultores que têm fazendas premiadas e produtos certificados.

Kairala afirma
que o “direct trade” está ganhando espaço porque, comprando do mesmo produtor,
o torrefador terá constância no perfil do produto que será oferecido nas cafeterias.

Por outro lado,
o cafeicultor tem a venda garantida em longo prazo. Mas, para o empresário,
ainda é cedo para qualquer tipo de análise. “Como estou vendendo direto para o
cliente, não estou competindo com exportador, mas com o importador europeu.
Será que ele terá um produto mais barato do que já é e continuará vendendo mais
barato, ou vai ter uma regulação de margem dentro do Brasil? Isso é uma coisa
que a gente não consegue saber ainda”, diz.

Cesar Colleti

O que acontece e como acontece em Franca e região