
Acima o Château d’Yquem em Sauternes ao sul de Bordeaux, onde se produz um vinho que já foi chamado de “Luz Engarrafada”
Sei que parece estranho, mas se faz vinho e muito bom, com uvas “podres”. Não podíamos estranhar, afinal, muitos de nós comemos queijo gorgonzola que é feito com fungos ou qualquer tipo de cogumelos que apreciamos nos bons pratos também são fungos, e até os mais básicos pães e bolos se não fossem os fungos não seriam tão bons e fofinhos.
Não é qualquer podridão, trata se da “ Podridão Nobre” ou seja: Botrytis Cinerea.
E para complicar mais um pouco, o ataque deste fungo tem que ser de maneira específica, com as condições de umidade e temperatura apropriadas. Caso contrário, o ataque acaba com a produção.

Esta praga, que em condições específicas ataca a uva de maneira benéfica, faz minúsculos furos na casca onde se evapora até 50% da água, concentrando assim o açúcar da fruta e mantendo um teor de acidez alto.
A colheita então é feita apenas dos grãos de uvas atacados pelo fungo, com até dez passadas por dia… Na elaboração, as uvas são prensadas e o mosto é passado para um recipiente para fermentação, sendo bem parecida com a elaboração dos vinhos brancos, mas a fermentação é muito mais difícil e lenta, o que pode durar até um ano, resultando numa quantidade muito pequena de vinho já que perdeu tanta água quando estava na videira.
Os mais famosos vinhos “botrytizados são o Sauteternes, de Bordeaux na França, O Tokaji (ou Tokay) da Hungria e os alemães.

Curiosidade : “Em 2011, um colecionador francês adquiriu uma garrafa do Château d’Yquem 1811 para colocar na carta de vinhos de seu restaurante em Bali. O valor pago foi de 75 mil libras, ou 120 mil dólares, o mais caro da história para um vinho branco”.
No próximo post… aguardem detalhes sobre o Tokaji!