O setor coureiro nacional está investindo em soluções sustentáveis na produção. O despejo dos resíduos sólidos e líquidos é uma das prioridades nesse esforço de melhorar a reputação do produto de exportação. A maior ameaça consiste nos resíduos de cromo e outros componentes prejudiciais ao meio ambiente. O despejo irregular ocorre com frequência em regiões onde o couro é curtido, como China, Índia e Bangladesh. Em grande parte dos curtumes do Brasil, porém, não ocorre mais o despejo em áreas impróprias, asseguram os produtores nacionais. Essa questão ganhou atenção em agosto, quando 18 marcas internacionais suspenderam a importação do couro brasileiro, por causa das queimadas na Amazônia.
Na avaliação de João Fernando Bello, presidente do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), o setor coureiro brasileiro é um exemplo de produção sustentável. Ele cita a fábrica ítalo-brasileira ILSA Brasil, localizada no Rio Grande do Sul, que aproveita os resíduos dos curtumes para fabricar fertilizantes orgânicos. “Os resíduos sólidos dos curtumes não vão mais para aterros sanitários. Mandamos tudo para a fábrica porque o couro tem muito nitrogênio, o que faz bem para a terra”, explica.
Bello relembra como os curtumes brasileiros começaram a pensar em soluções sustentáveis no fim dos anos 1970. Segundo ele, um dos segmentos mais visados à época foi a indústria do couro. “Nós fomos obrigados a investir muito dinheiro em soluções de produção ecologicamente corretas, o que acarretou no fechamento de muitos curtumes que não tinham o capital suficiente para isso”, conta. “Hoje, o curtume é uma indústria limpa, dentro da sua realidade”, avalia. Diego Moreira Ützig, representante da Lanxess, empresa especializada em químicos, ressalta que o couro é uma indústria de reciclagem. “Somos tecnológicos e estamos cada vez mais inseridos na indústria 4.0. Nosso desafio é mostrar ao consumidor final o quanto a nossa indústria é moderna”, diz.
Exportação
A sustentabilidade na produção é um fator importante, entre outros motivos, porque as exportações do setor têm diminuído nos últimos anos. Este ano, o setor coureiro exportou em outubro US$ 83,1 milhões, aumento de 2,7% em relação a setembro, quando a exportação foi de US$ 81 milhões, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. No entanto, em relação a outubro de 2018, quando foram exportados US$ 120,8 milhões, houve uma queda de 31,2%.




