Estima-se que no Brasil 40 mil pessoas convivam com esclerose múltipla (EM), uma fração dos cerca de 2,5 milhões de pacientes diagnosticados no mundo.
Ainda cercada de dúvidas – não se sabe exatamente quais suas causas -, a EM é uma doença neurológica e autoimune, ou seja, o próprio sistema imunológico da pessoa ataca o sistema nervoso central, que interfere na comunicação do cérebro com todo o corpo. Crônica e progressiva, se bem tratada, os pacientes podem manter uma boa qualidade de vida.
Acredita-se que a doença seja desencadeada, nas pessoas que têm uma propensão genética, por um ou mais fatores externos. “Não se conhece ainda as causas da doença. Mas sabe-se que existe predisposição genética – com alguns genes já identificados que regulam o sistema imunológico – e fatores ambientais envolvidos. Bem como infecções virais, como o vírus Epstein Barr, pouca exposição ao sol e consequente níveis baixos de vitamina D de forma prolongada, além da exposição ao tabagismo e da obesidade”, conta a neurologista Mariana Lourenço Lino, de Franca, em São Paulo. “Um artigo publicado recentemente na revista Neurology em 2018 mostrou que o contato com solventes orgânicos também pode estar relacionado à doença”.
A EM ocorre devido a períodos de inflamação e destruição da bainha que envolve os neurônios – chamada de mielina. Os danos a mielina causam interferência na comunicação entre o cérebro e a medula causando diferentes sintomas. “É como se dois fios desencapados se encontrassem, gerando um curto-circuito que deixa uma cicatriz, a esclerose, e uma consequência.” A doença geralmente afeta pessoas jovens, entre 20 e 40 anos, sendo mais comum em mulheres.




