
Há duas semanas escrevi um post sobre a importância do sal e o porque de ser um dos primeiros e mais importantes aprendizados numa escola de culinária. Pois bem, divido essa importância com outro tempero onipresente na cozinha: a pimenta do reino. Concebida como um ingrediente básico ao lado do sal, a pimenta-do-reino tem pungência moderada, e seu aroma agradável a torna presente na maioria dos pratos salgados. Afim de preencher sabores quase sempre são usadas logo antes do consumo, moídas na hora. Também à usamos inteiras, em alimentos de preparo longo, demorado, como caldos, fundos, e marinadas, com tempo de cozimento e descanso suficiente para extrair suas qualidades. Moídas ou inteiras o ideal é, antes juntar aos alimentos, saltea-las por alguns segundos em fogo alto para tostar e assim intensificar seus aromas e sabores.
Como o sal, a pimenta do reino é uma velha conhecida. Originária do litoral sudoeste indiano é um condimento muito antigo, seu comércio por mar e por terra com o restante do mundo, começou a mais de 3.500 anos. É provável que tenha sido uma das primeiras especiarias a ser trazida, comercialmente , da Ásia para o Ocidente. Sabe-se que foi mencionada em antigos papiros egípcios, também era muito conhecida dos gregos e popularíssima entre os romanos – estes a usavam como conservante e aromatizador de carnes. Mais recentemente, quando Vasco da Gama descobriu o caminho marítimo entre a Europa e a Índia em 1498, os portugueses passaram a controlar durante décadas o comércio internacional das pimentas do reino. Nessa época a pimenta era símbolo de poder e virilidade em todo o Ocidente, onde tinha fama de virtudes afrodisíacas. Era tão desejada que valia tanto quanto ouro e prata. Tempos depois o comércio das pimentas passou a ser controlados pelos holandeses e mais tarde pelos ingleses, até que a partir do século XX vários países da América do Sul e da África começaram a produzi-la. Hoje junto com Índia, o Brasil e a Indonésia são as principais fontes produtoras.
As bolinhas de pimenta tal qual conhecemos são frutinhas do cacho de flores de uma trepadeira chamada Pipper. Após a colheita essas frutinhas passam por um processo para fazer várias versões da especiaria, cada qual com uma cor.




