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Fumante infectado com coronavírus tem 14 vezes mais chances de morrer

Tabagismo enfraquece sistema imunológico, tornando a reação protetiva do corpo mais lenta

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O cigarro é responsável pela maior incidência de infartos e eleva em três vezes as chances de morte súbita. 

Os dados são da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo – SOCESP, que estima que o tabaco responda por 25% dos casos de infarto, cerca de metade dos derrames cerebrais e aumente em três vezes o risco de morte súbita. 

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Entre as mulheres, esses riscos podem ser ampliados em até cinco vezes.

Diante desse cenário alarmante e aproveitando a mobilização do Dia Mundial Sem Tabaco, em 31 de maio, a SOCESP organizou campanhas virtuais, com postagens diárias, em seu site www.socesp.org.br/publico e mídias sociais, voltadas à conscientização sobre os perigos de fumar.

Para se ter uma ideia, os danos que o cigarro provoca no organismo podem ser comparados com os prejuízos da forma mais grave da COVID-19, com a diferença que o tabagismo fará a parte dele no decorrer de um tempo mais longo – são sete milhões de mortos no mundo, a cada ano, por patologias relacionadas ao tabaco – enquanto a doença provocada pelo coronavírus faz os mesmos estragos em poucos dias.

“Trata-se da principal causa evitável de morte e encurta a vida de homens em dez anos e de mulheres em 12 anos”, lembra o presidente da SOCESP, João Fernando Monteiro Ferreira.

“O fato de os fumantes estarem mais propensos às infecções virais e a probabilidade de morte 14 vezes maior quando a COVID-19 infecta fumantes, de acordo com estudos realizados, faz deste um bom momento para se pensar em tratamentos antitabagismo.”

O tabagismo enfraquece o sistema imunológico, tornando a reação protetiva do corpo frente às infecções mais lenta.  Doenças pulmonares ou capacidade pulmonar reduzida – comuns em fumantes – também aumentam o risco de desenvolver as formas mais graves das infecções.

A cardiologista e assessora científica da SOCESP, Jaqueline Scholz, reforça o fato de o tabagismo ser uma patologia, assim como a diabetes e a hipertensão, por exemplo. 

“Um fumante disposto a largar o vício precisa de acompanhamento médico e de uma estratégia terapêutica, com uso de medicações para ter mais sucesso”, diz. Os tratamentos antitabagismo também são disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) gratuitamente.

O Brasil ocupa o oitavo lugar no ranking mundial de tabagistas, com 7,1 milhões de mulheres e 11,1 milhões de homens. 

Mas o número de brasileiros que mantém o hábito de fumar caiu 38% no período de 13 anos. 

Em 2019, 9,8% afirmavam ter o hábito de fumar, enquanto em 2006 o índice era de 15,6%. A prevalência de fumantes é menor nas faixas extremas de idade: entre adultos com 18 a 24 anos (7,9%) e adultos com 65 anos e mais (7,8%).

A boa notícia é que a recompensa por vencer a luta contra o tabagismo chega rápido: dados da SOCESP apontam que 20 minutos depois do último cigarro, a pressão e a frequência cardíaca já normalizam; entre 24 e 72 horas, os pulmões já oxigenam o sangue melhor. 

Depois de alguns dias, o olfato e o paladar estão mais aguçados. “Um ano sem tabaco e o risco de infarto é reduzido pela metade e, entre cinco e 10 anos, a probabilidade de um infarto será igual ao de uma pessoa que nunca fumou”, estimula Jaqueline Scholz.

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