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Frio repentino e pandemia ligam alerta para os problemas respiratórios

Temperaturas caem depois de meses de estiagem e calor, o que aumenta a necessidade de se cuidar

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Além de se agasalhar bem, especialistas aconselham maiores cuidados com a saúde

Diversas regiões do Brasil enfrentam, desde a quinta-feira, uma queda brusca na temperatura, que levou neve e geadas para Estados do Sul do País e temperaturas próximas dos 10ºC em nossa região. O vento ainda agrava mais a sensação térmnica, que em Franca chegou a bater os 7ºC.

A previsão para os próximos dias, pelo menos até terça-feira, é de frio intenso em boa parte do país e pneumologistas alertam para cuidados respiratórios. 

Com os números alarmantes de problemas decorrentes do novo coronavírus — o sistema respiratório é um dos mais atingidos —, especialistas reforçam a necessidade de um cuidado especial agora que as temperaturas devem despencar até a linha abaixo de zero em algumas regiões. Mais do que nunca, dizem os médicos, é momento de tentar evitar contaminação por vírus respiratórios.

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E todo esse frio vai ganhar ainda mais intensidade e avançar pelo Brasil, inclusive a região Norte. Por isso, os alertas para os cuidados com os problemas respiratórios, os quais crescem exponencialmente quando a temperatura baixa.

“O frio predispõe à descompensação de doenças crônicas, como asma e bronquite crônica. Ele é um pouco danoso para o epitélio respiratório, que pode não funcionar tão bem e predispor à infecções virais”, explica o pneumologista André Nathan Costa, coordenador do Grupo de Infecções Pulmonares do Hospital das Clínicas e da Faculdade de Medicina da USP.

Mas não é o frio, sozinho, que deixa o sistema respiratório mais sensível. Costa lembra que, nesta época do ano, o tempo seco e faz aumentar também a poluição do ar. Mesmo quem não tem doença respiratória pode ter problemas.

“No inverno as pessoas ficam mais confinadas, com vidros de ônibus fechados. Os vírus proliferam e a transmissibilidade é maior em ambientes pouco arejados”, explica.

Costa afirma que, ao ser acometido por uma infecção viral, o paciente também fica mais predisposto a uma infecção bacteriana, e a pneumonia é a principal delas. 

Neste cenário, as recomendações para evitar contágio pelo coronavírus são as mesmas para os demais vírus que causam danos respiratórios, como o Influenza, mais conhecido como “vírus da gripe”. 

Segundo o médico, com o isolamento social e sem aulas, houve redução no atendimento a crianças com problemas respiratórios nos postos de saúde e unidades de pronto atendimento.

O pneumologista Roberto Stirbulov, professor da faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, explica que a transmissão de vírus ocorre por meio das gotículas expelidas por pessoas contaminadas. É como um spray, que se espalha no ar por algum tempo no ar e, depois, fica depositado nas superfícies do ambiente.

Stirbulov chama a atenção para a vacinação contra a gripe, principalmente em idosos e pessoas com comorbidade. A rede pública oferece também a vacina contra pneumococo, bactéria causadora da pneumonia. 

Não há campanha de vacinação específica contra pneumonia, mas ela pode ser prescrita por médicos e aplicadas gratuitamente em postos de saúde.

“Os cuidados a serem tomados para evitar viroses são os mesmos tomados contra a Covid-19, que é uma virose de alta transmissibilidade e acomete com mais gravidade uma parcela das pessoas”, diz Stirbulov.

Os especialistas sugerem ainda que as pessoas evitem fumar. Um estudo publicado em maio passado pela Escola Nacional de Saúde Pública, intitulado “Covid-19 e tabagismo: uma relação de risco”, mostra que fumantes com Covid-19 têm 3,25 vezes mais chances de desenvolver quadros mais graves da doença do que não fumantes.

Os autores alertam que, no isolamento social, com as pessoas dentro de suas casas, os fumantes expõem os não fumantes às emissões de fumaça e vapores do tabaco. O fumo passivo pode causar danos semelhantes ao tabagismo ativo.

O artigo, publicado na edição de maio do “Cadernos de Saúde Pública”, diz ainda que, apesar de não existirem dados sobre tabagismo e sua recaída em relação às epidemias, estudos indicam que fumantes expostos a desastres naturais fumam mais do que fumantes não expostos — e afetam também a recaída de ex-fumantes.