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Já ouviu falar em “ombro congelado”? Problema está mais comum na pandemia

Chamada de capsulite adesiva do ombro, doença pode estar associada ao estresse provocado pelo isolamento

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O estresse provocado pela pandemia de Covid-19 tem representado um crescimento de casos de capsulite adesiva do ombro, um problema de saúde conhecido como “ombro congelado”.

Trata-se de uma inflamação no tecido vascularizado desta parte do corpo, que costuma se apresentar em três fases. 

A primeira fase é caracterizada por dores ao movimentar o braço; depois aparecem restrições e/ou perda de movimentos – o chamado “congelamento” – e, em seguida, os movimentos são retomadas.

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“O paciente sente muita dor noturna, perde o movimento, e vira um ciclo: ele passa a não dormir direito e isso causa muita ansiedade“, diz Alexandre Paniago, cirurgião de ombro e cotovelo dos hospitais DF Star e Sírio Libanês.

O médico compara a inflamação a uma camisa com pouco tecido. “Para movimentar o braço, a gente precisa que a camisa tenha pano debaixo do braço: no corpo, o ombro precisa desta cápsula”, explica. 

“Quando a cápsula está inflamada, aparecem as dores e a restrição dos movimentos”, completa Paniago.

Apesar de não ter uma causa conhecida, a capsulite do ombro é mais comum em mulheres entre 40 e 60 anos e costuma surgir após um trauma, depois de cirurgias cerebrais ou quando há alguma doença metabólica associada, como o hipotireoidismo e a diabetes. 

O problema também costuma estar associado a quadros de ansiedade, por isso o médico relata que as queixas sobre o problema vêm aumentando.

A psicóloga clínica e da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal Deyse Sobral lembra que as reações emocionais estão sendo potencialmente maiores durante o isolamento, devido à redução da rede de apoio, aumento dos medos e das preocupações. 

“Este é um cenário de maior vulnerabilidade e propensão para desenvolver doenças como a capsulite”, comenta.

Tratamento​

Na maioria dos casos, a inflamação passa naturalmente, ao longo dos meses. O tratamento, entretanto, procura aliviar as dores e pode incluir fisioterapia e acupuntura. 

Em alguns casos, também é incluída a prescrição de remédios antidepressivos com ação ansiolítica.

Como o estado emocional muitas vezes contribui para o problema, uma abordagem multidisciplinar também é indicada. 

“Há situações nas quais não basta apenas o tratamento para dor, pois o quadro emocional também precisa ser trabalhado”, afirma o psiquiatra Guilherme Paixão, professor da Universidade Católica de Brasília (UCB).

Algumas pessoas podem sofrer o sintoma por anos. Quando o tratamento não dá resultado, a cirurgia para liberação da cápsula é recomendada.

*Informações: Metrópoles