
Era noite de baile na Casa Rouxinol. A noite, considerada de gala, pedia uma preparação ainda mais minuciosa. Rosa sabia disso, então procurou em seus guardados, o vestido mais bonito. Vermelho! Ele destacava seus olhos negros. Ah os olhos… Atrás daquele brilho, eles escondiam tantas dores e angústias. Mas ela sabia que não era hora para lamentações. Era dia de festa e ela queria ser feliz, mais uma vez. Depois de vestida, Rosa pintou-se com a mesma maestria de outrora. Linda! – Pensou ela. O táxi já a aguardava na porta e minutos depois, ela estava no salão do Rouxinol. Brilho, luzes, animação e música…. A música que tocava a transportou para o passado. Viu-se naquele mesmo salão, vestido preto e uma rosa no cabelo. O adorno tinha sido presente de seu marido, Alberto. E ele estava radiante. Através de suas mãos e passos hábeis, Rosa desfilava por todo o salão, entre uma canção e outra. Eles queriam gritar para o mundo o motivo de tanta felicidade: Eles teriam um bebê!
Entre uma dança e outra, Rosa e Alberto decidem ir para casa. Já estava tarde e os primeiros raios do sol começavam a aparecer. O céu estava especialmente belo. Enquanto caminhavam para o carro, planos a mil, sorrisos, abraços, Rosa e Alberto não viram o carro desgovernado que vinha ao encontro deles. Foi tudo rápido demais. Tudo ficou escuro.




