Política une e desune, afasta e aproxima, gera amor e ódio. Isso em qualquer lugar, a qualquer tempo. E por um motivo simples: os interesses são mutáveis e o rival de outrora se torna o aliado de agora. Assim é a relação entre os tucanos Sidnei Rocha, prefeito de Franca eleito por três vezes para o cargo, e Roberto Engler, com seus seis mandatos seguidos na Assembleia Legislativa.
Dizem os antigos que a briga dos dois começou nos anos 70, mas se acirrou em 1985. Rocha, então prefeito, foi convidado pelo governador de São Paulo na época, Orestes Quércia, para assumir a presidência da VASP – empresa aérea estatal. Ele aceitou e pediu afastamento do cargo à Câmara, mas por sete votos a seis, os vereadores rejeitaram o pedido e Rocha teve que renunciar ao mandato. Um dos votos contrários foi justamente de Engler.
E os episódios foram se acumulando com o tempo. Nos oito anos que governou Franca, recentemente, entre 2005 e 2012, Rocha praticamente ignorou a existência de um deputado estadual de seu partido na Assembleia e o “gelo” foi devidamente devolvido por Engler. Não raro, trocavam provocações em entrevistas.
Eis que, de repente, surge um terceiro integrante no “circuito das bicadas”: Alexandre Ferreira, de secretário de Saúde, virou prefeito, com o apoio de Sidnei. Teve momentos de proximidade com Engler, mas se manteve o tempo todo praticamente distante de Rocha, o que mexeu com sua vaidade. Recentemente, disse que o mentor seria o coordenador de sua campanha: foi a gota d´água, que zangou a relação de vez, pois Rocha se considerou colocado para escanteio.




