
“Se não tivesse aprovado o antidumping, nós estávamos no caminho de destruição da indústria calçadista brasileira. O problema é que não tem como montar um processo antidumping contra a Indonésia, contra o Vietnã, porque daqui a pouco eles passam isso pra Índia e nós vamos ter que brigar contra o mundo”.
A frase é do presidente do Sindifranca – Sindicato da Indústria de Franca, José Carlos Brigagão do Couto, ao analisar a renovação da taxa antidumping para importações de calçados da China, adotada pela Câmara de Comércio Exterior – Camex, a uma semana.
Para Brigagão, a medida ajuda, mas não soluciona problemas estruturais que afetam a competividade do setor calçadista, como a triangulação entre países asiáticos e o Custo Brasil.
A discussão sobre o direito antidumping repercute diretamente em polos calçadistas. A argumentação do segmento foi de que a taxa reduziu em até quatro vezes o volume de importações dos calçados chineses.
Em 2009, antes do antidumping, os asiáticos venderam US$ 183,6 milhões em sapatos para o Brasil, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados). Em 2015, com a taxa, esse volume caiu para US$ 45,9 milhões.
A Câmara de Comércio Exterior aprovou no início do mês uma resolução que mantém, mas reduz de US$ 13,85 para US$ 10,22 a sobretaxa para cada par de sapato chinês importado pelo Brasil.
A alíquota anterior, válida desde 2010, visava proteger a indústria calçadista nacional contra o dumping, ou seja, a prática de preços bem abaixo dos de mercado.
Segundo a nova resolução, a taxa atualizada é válida por mais cinco anos por razões de interesse público. A medida se aplica a calçados de couro em geral, sintéticos e tênis.
Não se incluem na resolução alguns tipos como sandálias de borracha, produtos destinados a esqui e surfe de neve, pantufas e sapatilhas.
“Isso foi um alívio, apesar de que a China hoje representa 10% das importações de calçados de couro. A Indonésia representa 28% e o Vietnã, 58%”, afirma Brigagão do Couto, crítico sobre o real efeito da resolução.
Brigagão defende que, além de medidas protecionistas como o antidumping, sejam adotadas ações de fortalecimento da indústria brasileira, prejudicada pelo crescimento de custos com energia e por questões burocráticas.



