
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), relator da operação Lava Jato, mandou uma espécie de “recado” ao juiz federal Sérgio Moro, que cuida da investigação da mesma operação e que na quarta-feira divulgou grampos telefônicos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com vários interlocutores, entre eles a própria presidente Dilma Rousseff (PT). As afirmações foram feitas em discurso, já que ele não deu entrevista aos jornalistas.
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É preciso que os juízes tenham serenidade. Serenidade significa dizer que ele (o juiz) não será contaminado por paixões de qualquer natureza. Porque a paixão é cega. É claro que a justiça também é cega, mas a cegueira da justiça não é a cegueira das paixões”, disse o ministro em seu discurso. Alguns manifestantes a favor do impeachment e que apoiam o juiz Sérgio Moro não gostaram muito das palavras de Zavaski.
Ele ainda falou sobre a situação do País e da ampliação de conflitos. “Numa hora como estas que estamos vivendo, com dificuldades para o País, quando as paixões se exacerbam, mais do que nunca o Judiciário tem que exercer seu papel com serenidade, racionalidade. Sem protagonismos. Porque é isso que a sociedade espera de um juiz. E só assim que o juiz se legitima. O papel de um juiz é de resolver conflitos. Não é de criar conflitos” disse.
No meio de sua frase, o ministro do STF foi aplaudido pela maioria dos presentes. Ele voltou a apontar que a serenidade é muito importante. “É preciso, sobretudo, que as decisões sejam racionais. Que as decisões sejam justificáveis racionalmente. A decisão que se justifica racionalmente, não precisa de alarde, pode ser anunciada com cordialidade”.
Título
O ministro Teori Zavaski recebeu em Ribeirão Preto o título de cidadão ribeirãopretano, aprovado pela Câmara Municipal a partir de projeto do vereador Cícero Gomes da Silva (PMDB). Ele agradeceu a homenagem e disse que é importante para um membro do Judiciário ser lembrado pelo Legislativo, já que os dois poderes trabalham numa espécie de parceria, já que um produz as leis e o outro as aplica.
“São duas instituições fundamentais, porque o Legislativo estabelece as limitações de liberdade, enquanto o Judiciário é parceiro que dá concretude às determinações do Legislativo, sendo o guardião das leis aprovadas”, comentou.
E emendou que normalmente os cidadãos cumprem as leis e que o Judiciário só intervém quando os modelos de conduta estabelecidos pelo judiciário entram em crise. “Crise do ponto de vista do ordenamento jurídico, porque há crises pessoais, políticas, econômicas, mas cabe a nós, juízes, resolver as crises do ordenamento jurídico”.



