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A morte violenta de jovens: uma Via Crucis todo dia no Brasil

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Foi através da repórter Tatiane Vargas, do site EcoDebate, que fomos informados aqui nos blogs Folha Verde News e Flash de Ecologia sobre a pesquisa na Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), onde o Departamento de Violência e Saúde Jorge Carelli (Claves/Ensp) apresentou os resultados do levantamento Mortes violentas de jovens: um olhar compreensivo para uma tragédia humana e social. O estudo conclui que quem mais mata no Brasil é também quem mais morre, são jovens do sexo masculino, de 15 a 29 anos, que têm um baixo nível de escolaridade. Segundo as coordenadoras da pesquisa Ednilsa Ramos de Souza e Kathie Njaine existe uma multicausalidade pra esta situação, incluindo fatores sociais e comunitários que vão desde a concentração de pessoas nas periferias sem infraestrutura até a presença do tráfico de drogas e a livre circulação de armas de fogo.

A juventude brasileira carrega no dia a dia da vida a cruz da violência

Dados da realização e do alcance desta pesquisa das mortes de jovens

O estudo da mortalidade de jovens por homicídios no Brasil e em outros países da América Latina foi obtido por meio de um estudo de casos em 10 municípios brasileiros e também em 6 municípios da região metropolitana de Buenos Aires. A pesquisa buscou analisar os homicídios de jovens de 1990 a 2010, identificando padrões de semelhança e de diferenças na distribuição dos homicídios nas regiões estudadas. A coordenadora da pesquisa, Ednilsa Ramos, explicou terem sido analisados dados de 160 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes, sendo 14 no Norte, 26 no Nordeste, 12 no Centro-Oeste, 64 no Sudeste e 44 no Sul do país. As capitais foram excluídas, e selecionados dois municípios em cada região geográfica com taxas mais altas de homicídios de jovens, no mapa da violência de 2010, além de comportamentos opostos das taxas de homicídio de jovens. Para isso, utilizados indicadores macrossociais, habitacionais, demográficos, educacionais, de trabalho e rendimento, e de saúde e assistência social. Já na Argentina, foram selecionados apenas dois municípios para o estudo de caso. A pesquisa apresenta abordagem qualitativa e quantitativa, envolvendo também levantamentos de pesquisadores e estudantes de iniciação científica, mestrado e doutoradopara completar estas informações. Segundo o estatístico Carlos Augusto de Souza, em todo o mundo, do total de homicídios, 35% são de homens de 15 a 29 anos. Nas Américas, a taxa de homicídios entre homens de 15 a 29 anos é quatro vezes maior que a taxa média global. Enquanto nas Américas do Sul e Central, 30% dos homicídios estão relacionados ao crime organizado, na Ásia, Europa e Oceania, esse percentual é de apenas 1%. Além disso, as armas de fogo são o principal meio utilizado para perpetrar o homicídio nas Américas e 2/3 dos homicídios são cometidos utilizando esse instrumento letal. Objetos cortantes e penetrantes são mais usados na Europa e Oceania. Carlos citou dados de óbitos de jovens por causas externas e por homicídios num período de 20 anos no Brasil, Argentina, México e Venezuela. Após a apresentação de dados bem detalhados e expressivos, Carlos Augusto destacou ocorrer maior incidência de óbitos em jovens homens, sendo necessário prioridade nas políticas públicas para esse grupo: “Além disso, é importante a ampliação de direitos sociais e democráticos, mais oportunidades no que diz respeito a emprego e educação, maior controle sobre o acesso de armas de fogo, principalmente nas regiões de fronteira, combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas em todos os países da América Latina, isso e mais ainda a redução da impunidade e corrupção”. A pesquisa foi realizada em todas as cinco regiões brasileiras, Norte, Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Em cada região, foram escolhidos dois municípios, um com taxa alta e crescente de jovens mortos por homicídios e outro com taxa baixa e decrescente, como uma tática para se detectar melhor as causas e as consequências desta realidade, a Via Crucis dos jovens, em especial, no Brasil, da juventude pobre, de periferia, formada por maioria negra. Nesses locais, como favelas e bairros mais periféricos, existe uma ausência enorme de espaços seguros de socialização para jovens, só pancadões ou bailes funks, isso e olha lá. Há uma ligação muito grande também entre juventude, violência e redes sociais nesses fins do mundo, por aqui, em todo o país, em vários países.

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Aqui em São Pedro na realidade da periferia uma Via Crucis da juventude hoje


Existe uma chance de diminuir a Via Crucis da violência contra os jovens?

Após as apresentações dos resultados do estudo em todas as regiões, a coordenadora desta pesquisa de grande valor, Kathie Njaine ressaltou como lamentável haver pouco debate sobre esta realidade e poucos projetos especiais para os jovens, faltando também planejamento público e pior ainda, desvio de verbas de programas sociais voltados para os jovens. O tema homicídio não é prioridade. Há uma precariedade institucional para lidar com a violência em geral e principalmente com a violência que assola a juventude. As políticas governamentais destinadas aos jovens, ainda que incipientes, já nascem desacreditadas pela população e pela própria juventude, vítima deste flagelo. Um problema que já virou um drama e uma tragédia por aqui no Brasil, a Via Crucis dos jovens em geral e mais ainda da juventude negra e pobre. Toda uma geração de Jesus Cristos, para usar uma expressão dentro do clima agora da Semana Santa. Após o sacrifício pela morte de tantos jovens com este perfil, a tão esperada Páscoa vem a ser a implantação de programas sociais sustentáveis capazes de promover uma ressurreição da esperança e da vida. 

No dia a dia da vida de agora jovens são vítimas da violência da realidade
A encenação da violência contra Jesus Cristo simboliza também o jovem de hoje…
sofrendo de variadas formas os problemas da nossa realidade de agora

Amanhã, aqui, mais informações para você, esteja você onde estiver, paz, Padinha!

Cesar Colleti

O que acontece e como acontece em Franca e região