Por Henry Ford, “a história é uma bobagem, somos responsáveis pelo presente e PONTO”.
Não dá para descartar a máxima e nem assumi-la em sua totalidade. Há um tom político nesta afirmação: “Não dá pra descartar a máxima e nem assumi-la em sua totalidade”. Você deve estar se perguntando: De que lado ele está?
A questão é que a riqueza dos 2 últimos séculos é procedente de TRABALHO.
E Trabalho dá trabalho, cansa, estressa, desgasta, gasta, consome. Imagine aí mais uns 100 sinônimos.
O fruto do trabalho é riqueza, porque ele persegue riqueza, este é seu objeto.
Nos tempos modernos e líquidos, nós, da geração nascente dos anos 80 já ouvimos em salas de aula ou em casa: Como trabalhamos para chegar até aqui! Meu pai trabalhou na roça…; E o resto da história você conhece.
O capitalismo pesado da era fordista almeja grandes plantas industriais, retenção de colaboradores, regras e normas centralizadoras.
O Progresso argumentado em Modernidade Líquida por Zygmunt Bauman: “A continuidade não é mais marca de aperfeiçoamento. A natureza outrora cumulativa e de longo prazo do progresso está cedendo lugar à demandas dirigidas a cada episódio em separado”.
Isto propõe sérias adaptações ao ciclo PDCA (PLAN, DO, CHECK, ADJUST – PLANEJAR, DESENVOLVER, CHECAR E AJUSTAR).
A primeira delas é o tempo. Se meu Pai levou 20 anos para chegar até “aqui” numa época em que produção, peso e horas extras eram a bola da vez concluímos que em nossos tempos precisamos planejar mais e mais rápido, desenvolver com qualidade em tempo recorde, testar, implementar e ajustar ON-LINE.
Isto tem levado empresas e pessoas a transformarem suas vidas e rotinas em uma perfeita corrida histérica rumo ao nada. E isso não engraçado. É sério!
Resumindo: O mundo mudou. Antes novela, agora episódios, antes reuniões intermináveis, agora contatos objetivos.
Até porque o consumo tem por objeto à coleção de experiências e o próximo episódio de prazer, antes temporada, começa antes que o primeiro termine.
O tempo entre planejamento e produto reduziu-se drasticamente. Quem corre supostamente “ganha”.
Desconfio de um futuro onde intelectuais de todas as áreas encontrem-se como escórias da sociedade por seguirem em linha reta, fazendo curvas necessárias e pensadas por um mundo mais sólido e espiritualizado.
Sobre trabalho enobrecer o homem? Não! Capacidade de entreter e alegrar. Isso sim enobrece o homem.
A questão é: Queremos nobreza ou àquilo que quase ninguém quer?
O que quase ninguém quer: Tédio, Persistência, Renúncia à Prazeres e Interesses por um Sonho Grande, Um país Melhor, que não dependa só de políticos e lideranças.
Criatividade Sólida. Não que a líquida esteja incorreta. Por enquanto, este é seu estado natural. Leve, solto.
Esta leveza pode ser aplicada ao processo de criatividade, é até saudável, mas seu resultado precisa ir além de suprir alegria ou entreter. Precisa durar. Queremos isso? O mercado quer coisas que durem?
A hipótese de que as duas frentes Alegria (da Criatividade Líquida) e a Felicidade (da Criatividade Sólida) se cruzem naturalmente e produzam uma geração de conflitos e fragmentação em sentidos econômicos, políticos, sociais, entre outros já é comprovada pelo cenário mundial.
Imagine uma ditadura militar no Brasil e Donald Trump como presidente dos Estados Unidos.
*Essa coluna é semanal e atualizada às quartas-feiras.



