Em
2002, Franca recebeu o Hospital do Câncer, ligado ao Complexo
Hospitalar Santa Casa com o foco de oferecer atendimento oncológico
aos pacientes de Franca e da região, evitando assim viagens
desgastantes, que aumentavam o desconforto de quem está se tratando.
Mas
os resultados poderiam ser ainda melhores, já que novas drogas estão
revolucionando os tratamentos. Muitos médicos e cientistas acreditam
numa cura em um futuro não muito distante. O problema porém que
limita o acesso mais amplo são os custos do tratamento, cada vez
mais elevados.
“Para
garantir o acesso dos pacientes a esses novos tratamentos será
preciso negociação entre a indústria e os sistemas de saúde,
tanto públicos quanto privados”, afirmou à Folha de São Paulo o
oncologista Drauzio Varella.
“Na
medicina, quando aumenta o mercado para um determinado medicamento, o
preço não cai. Pelo contrário, encarece. A oncologia não obedece
às leis econômicas internacionais”, afirmou Varella, conhecido
por suas aparições na revista eletrônica Fantástico, da Rede
Globo, exibido aos domingos.
O
alto custo do tratamento, no entanto, não é uma exclusividade
brasileira. Segundo Varella, os grandes responsáveis por isso são
os Estados Unidos, já que pelo MedCare, sistema público de saúde
americano, é proibido de negociar os preços com a indústria.
Uma
das saídas para a questão dos custos, afirmou o oncologista, é
escolher os tratamentos com base em uma análise de quais drogas são
mais adequadas para cada caso específico de câncer. “Tem que
ter negociação entre a indústria e sistema de saúde para saber
quando o remédio tem perto de 100% de chance de ação, e só usar
nesses casos”, disse Varella.
Outro
caminho para reduzir os custos seria dividi-los com a indústria, de
modo semelhante ao que ocorre nos países europeus o sistema
público paga o medicamento nos casos em que o tratamento é
bem-sucedido. “Lógico que a indústria tem que investir em
pesquisa. Sem recursos, não dá para a medicina evoluir”.



