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Nogueirinha nega, mas queda foi causada pelo “Merendão” dos tucanos

Agora ex-secretário, deputado de Ribeirão Preto diz querer votar no impeachment de Dilma

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Nogueirinha, durante entrevista em Franca, no ano passado

Depois de ter sido alçado à condição de preferido do Governador Geraldo Alckmin para sucedê-lo no Palácio dos Bandeirantes, o secretário de Logística e Transportes do Estado, o deputado federal por Ribeirão Preto (que fez dobradinha com Roberto Engler na região de Franca), Duarte Nogueira Júnior – Nogueirinha (PSDB) caiu em desgraça. E caiu do cargo de confiança que ocupava.

Nogueirinha acabou no centro do escândalo da Máfia da Merenda que atuava em 22 municípios do estado, inclusive na própria região de Nogueirinha, Ribeirão Preto. 

Ele foi acusado de envolvido no escândalo, tendo recebido supostas propinas. Seu colega deputado federal, porém adversário político em Ribeirão, Baleia Rossi, também entrou na dança.

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A situação de Nogueirinha ficou insustentável nesta semana, quando acompanhando Alckmin a visita para inauguração de uma fábrica de veículos em Araraquara, o Secretário de Logística e Transportes viu seu chefe, o governador, submetido a uma avalanche de perguntas sobre o “Merendão”, o escândalo paulista comparado ao “Petrolão” e “Mensalão” petistas.

Alckmin chegou a priorizar apoio a Nogueirinha em detrimento do sempre leal deputado francano Roberto Engler, no caso dos pedágios. Engler reclamou do Governador que teria prometido as rodovias Ronan Rocha e Cândido Portinari duplicadas, sem pedágio.

Engler reagiu, apesar de dever satisfações aos eleitores de Franca e região, pois os dois fizeram “dobradinha” nas eleições de 2010, acusou Nogueirinha de também mentir sobre a não instalação de pedágios na região, mas Alckmin não ouviu as queixas. 

Engler chegou a pedir reuniões com Alckmin e Nogueirinha, pessoalmente e por carta, mas mesmo depois de quase 30 anos de lealdade, teve a porta batida na cara. Não é uma vingança política de Engler, já que ele não interferiu na queda de Nogueirinha. Mas que ele está triste, não está.

Sobre a saída, Nogueirinha tentou contemporizar, amenizar, dizendo que sai para participar do momento político importante do país (o impedimento de Dilma), já que ele é Deputado Federal e retorna ao Congresso para votar favoravelmente à saída da petista.

Embora em seu site (duartenogueira.com.br) não haja nenhum comunicado sobre sua saída, em seu perfil no Facebook, Nogueirinha justificou:

“Amigos, reassumirei meu mandato de deputado federal a partir da semana que vem para participar de um momento de extrema relevância, quando a Câmara dos Deputados irá votar o impeachment da presidente Dilma. Os paulistas, em especial os da minha cidade natal, Ribeirão Preto, sempre foram destaques nas manifestações pró-impeachment e, tendo sido eleito por eles, não posso deixar de representá-los, de votar por eles. Agradeço ao governador Geraldo Alckmin pela confiança e pela oportunidade que me ofereceu de estar à frente da Secretaria de Logística e Transportes nestes últimos 15 meses, que compreendeu a importância do meu retorno à Câmara dos Deputados e que compartilha com todos nós o entendimento de que o país precisa de novos rumos”.


Processo arquivado

Nogueirinha também escreve que a Corregedoria do Estado também o inocentou no caso, arquivando o processo. Ele transcreveu em seu Facebook:

“A corregedoria da administração do Governo Estadual arquivou o processo interno de investigação contra Duarte Nogueira e o inocentou de participação na máfia das merendas. A corregedoria apontou que não se sustentaram as acusações de que Nogueira teria recebido propina. Nogueira afirma que a verdade está sendo restabelecida e aguarda a conclusão da operação Alba Branca também na Polícia Civil e Ministério Público”, citando uma reportagem em vídeo veiculada pela TV Clube/Bandeirantes de Ribeirão Preto.

Cerco

O cerco aperta em torno do agora ex-secretário Duarte Nogueira Júnior. Sete pessoas foram presas, nesta terça-feira (29), em cinco cidades do estado de São Paulo. 

Elas são suspeitas de fazerem parte de um esquema que fraudava licitações para comprar merenda escolar superfaturada. Os mandados de prisão foram expedidos pela Justiça de Bebedouro, onde as investigações de fraude na merenda começaram.

Entre os sete presos estão Leonel Júlio, que já foi presidente da Assembleia Legislativa Paulista pelo antigo MDB e foi cassado em 1976, acusado de fazer viagens ao exterior e comprar canetas, chaveiros, perfumes e calcinhas com dinheiro da Assembleia.

Sebastião Miziara, presidente da União dos Vereadores: preso

Os outros presos são Sebastião Miziara, presidente da União de Vereadores do Estado de São Paulo; o ex-vendedor da Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf), Emerson Girardi; o servidor público estadual Carlos Eduardo da Silva; Aluísio Girardi Cardoso; Joaquim Geraldo Pereira da Silva; e Luís Carlos da Silva Santos. Marcel Júlio, filho de Leonel Júlio, considerado um dos mentores do esquema, está foragido. 

Cesar Colleti

O que acontece e como acontece em Franca e região