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Presidente da Abicalçados escreve artigo sobre sobrevivência do setor

"A indústria calçadista, por ser intensiva em mão de obra, vem sentindo fortemente a crise"

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Heitor Klein, presidente da Abicalçados

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados – Abicalçados – Heitor Klein, publicou artigo no jornal Diário Comércio e Indústria, onde expôs a opinião da liderança calçadista sobre a crise econômica e outras ameaças que rondam o setor:

“Ao longo das últimas décadas assistimos o setor industrial, e o de manufaturados em geral, despencar sua participação no Produto Interno Bruto Brasil (PIB). De uma participação de quase 30%, na década de 80, caímos para pouco mais de 10%.

A indústria calçadista, por ser intensiva em mão de obra, vem sentindo fortemente os problemas causados pelo processo da desindustrialização brasileira. Para se ter uma ideia, nos anos 90 as fábricas calçadistas chegaram a empregar mais de 500 mil pessoas, número que caiu a 284 mil no ano passado. 

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São quedas consecutivas, ano após ano, que demonstram um segmento fragilizado pelo chamado “custo Brasil”, que mais do que uma expressão é uma realidade cruel para as empresas que buscam sobreviver em território nacional.

Para que a análise não caia na subjetividade, ilustro com dados. Em 2010, conforme números do Instituto de Estudos e Marketing Industrial (Iemi), o uso da capacidade instalada da indústria calçadista era de 68%, que já era baixo. Ou seja, poderíamos produzir 32% mais do que produzíamos. 

A situação foi se deteriorando com o tempo e, em 2014, chegamos a 66% no uso da nossa capacidade. Os segmentos que mais sentiram foram justamente os que fabricam produtos de maior valor agregado.

Em 2015, embora ainda não tenhamos os dados tabulados, muito provavelmente o quadro foi agravado com a crise na demanda interna por calçados, já que naquele ano o volume de vendas do segmento foi 8,6% menor.

Existem apenas duas saídas para a crise em que não somente o setor calçadista está envolvido, mas toda a indústria nacional de manufaturados. A primeira passa pelo investimento em produtos diferenciados e que tenham no design o potencial de desenvolver novos mercados. O segundo, é melhorar a produtividade através da redução de custos.

Os desafios são grandes, mas nós, certamente seremos maiores.

(fonte DCI)

Cesar Colleti

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