A multiplicidade de conteúdos do tema resulta na impossibilidade de condensá-lo em uma definição ou de conceituá-lo em uma frase, período, discurso ou em um único livro. As variações possíveis são tantas que permitem apenas aproximações parciais. Uma visão um pouco mais dilatada é possível com a leitura, análise e comparação dos conceitos emitidos por escritores, críticos, intelectuais e outros estudiosos, historicamente e em todos os lugares. Inicio aqui uma viagem panorâmica pelo tema “Escrever”, observando apenas que encontraremos concordâncias e assentimentos, mas também divergências e contradições.
Sérgio Barcellos Ximenes destaca que “Escrever é reescrever”, “…insano trabalho e uma das citações mais batidas e verdadeiras da literatura… a reavaliar dezenas de vezes as partes do texto que vai sendo escrito e depois reescrevê-las com base no resultado dessas avaliações” e “…Quanto mais vario, mais sou inteligente”. A afirmação sugere uma primeira indagação: –Terei conhecimento técnico e cultura geral e específica para isso?
E não por acaso, os Estados Unidos registram Prêmios Nobel em Literatura e são campeões em edição de livros. Quando Henry James, o mais festejado resenhista americano divulgou que iria rever e editar uma coleção de luxo de seus prefácios extraordinários, mais de sessenta artigos foram escritos elogiando a conveniência ou criticando as revisões. O crítico do “Literary Digest” reclamou que “…Um autor não deveria modificar o caráter de suas obras publicadas, pois elas já pertenceriam ao domínio público”. Ou seja, constituiriam, segundo a definição do ensaísta, um “clássico”: “Que o Sr. James respeite os clássicos, (a nota conclui:) mesmo os de sua própria lavra”.
Se a declarada revisão de que os prefácios seriam reescritos (pelo próprio autor) gerou celeuma, é de se imaginar o quanto há sobre o “Escrever”.(veja “A Arte do Romance”, Editora Globo)
*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.



