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Com que roupa eu vou?

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​Sexta feira, dia 29 de abril, teremos a festa mais esperada de Franca, Festa Gente de Mérito. Há uma grande oferta de produtos, mas acertar na escolha do perfume é sempre um problema na vida da maioria das pessoas. Como já dizia o samba de Noel Rosa: “Com que roupa eu vou, pro samba que você me convidou…”. Mas nesse caso seria o perfume! Não basta ser o importado mais caro, o último lançamento daquela grife francesa ou até aquela fragrância que sua amiga toda poderosa deixa num rastro por onde passa. Sim, falamos no feminino, pois os homens dificilmente costumam ter muitos perfumes, a grande maioria sempre tem sua ‘marca registrada’ e gostam de manter essa personalidade intacta. Excesso, aliás, é algo mortal para a imagem do usuário que borrifa indiscriminadamente perfumes sobre si sem o critério adequado. Em se tratando de algo tão marcante quanto o perfume, que praticamente se mistura com a própria projeção da pessoa, o assunto tem importância maior do que normalmente se imagina.

De acordo com os especialistas em estilo e etiqueta, entre o indivíduo e o perfume deve se estabelecer uma relação harmoniosa, que lembra a de um chef de cozinha diante das possibilidades de prazer que lhe oferece a boa mesa. No campo oposto, está o glutão que avança sobre o prato delicioso. A percepção agradável ou completamente desastrosa de uma fragrância depende de uma série de fatores, como a adequação ao clima e ocasião para a qual é escolhida até as características pessoais de quem a usa, como o tipo de pele. Para você compreender melhor essa relação e não correr o risco de cometer erros grosseiros é bom entender alguns princípios. Esse mundo dos aromas é extremamente vasto, eles se agrupam em “fases”, que por sua vez têm diferentes “notas”. As “notas de saída” que são as mais leves (cítricas e menta, por exemplo), responsáveis pela primeira impressão, com duração de cerca de duas horas. Depois, começam a ser exaladas as “notas de coração”, mais florais e amadeiradas, com permanência de cerca de cinco horas. Finalmente, vêm as “notas de fundo”, com aromas fortes, como baunilha e mel, que ficam na pele por mais de dez horas. É a combinação dessas notas que define a fragrância do perfume, que pode ser predominantemente cítrica, floral, amadeirada, frutal, doce, verde ou refrescante, para citar as mais comuns.

A concentração da fragrância, isto é, a proporção da essência em líquidos diluidores, torna o perfume mais ou menos forte e lhe confere diferentes denominações, como parfum, eau de parfum, eau de toilette, eau de cologne e splash. Algumas fragrâncias e concentrações são mais indicadas para o dia, outras para a noite. Cada essência tem uma ocasião ideal para ser usada. Os perfumes amadeirados são mais fortes e sensuais e por isso indicados para a noite. Para situações do dia a dia, como trabalho, as opções cítricas e refrescantes, que dão aquele astral de banho tomado, são as mais apropriadas. Já os momentos românticos pedem um perfume floral. Entretanto, para cada sensibilidade, uma sentença.

Assim como as roupas e os carros, os perfumes também entram e saem de moda. Houve uma época em que a sensação era os fortes e marcantes, como o Lou Lou, da Cacharel, e o Poison, da Christian Dior. Hoje em dia, a tendência são os aromas mais leves e refrescantes. Em países orientais, como a Índia, as fragrâncias doces, amadeiradas e condimentadas são as preferidas. Já no Brasil, as mais leves, como as lavandas, têm melhor aceitação. E há os clássicos, que passam pelo vai e vem da moda sem perder a elegância, como atesta o célebre Chanel nº 5 que já citei por aqui, após oito décadas de existência continua sendo o perfume mais vendido do mundo. Atualmente, os nacionais já têm boa receptividade, mesmo com a facilidade em se comprar os importados. O hábito de usar perfume é uma tradição que remonta à Antiguidade. Em Roma, ervas aromáticas eram usadas coletivamente nos banquetes palacianos e nos jogos de arena, neste caso certamente para afastar o mau odor reinante nas tardes ensolaradas daquele período que, embora clássico, era sabidamente menos asseado.

Importante é lembrar que não existe regra. A escolha de um perfume é muito pessoal e cada um escolhe a fragrância de acordo com seu gosto individual. Quando alguém escolhe um perfume, na verdade está elegendo um cheiro que para a sua memória olfativa é agradável, e memória está relacionada com a parte emocional, porque ambos, memória e emoção, são processados na mesma parte do cérebro, e através da emoção expressamos e criamos nosso jeito de ser, nosso estilo. Boa sorte na escolha do perfume certo para essa deliciosa noite, e confira a fragrância que escolhemos para perfumar os toaletes! Uma ótima festa!

*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.