
A derrota do prefeito de Franca, Alexandre Ferreira para o ex-prefeito e mentor político Sidnei Rocha, nas prévias do PSDB neste sábado (30) por 676 a 288 votos para definir a candidatura do partido para a Prefeitura da cidade em outubro abriu um precedente histórico.
Pela primeira vez em Franca (governos Gilmar Dominici e Sidnei Rocha), desde que o instituto da reeleição foi adotado no começo da década de 2000 um prefeito só não é candidato a reeleição por vontade própria, mas sim, alheia.
Embora a reeleição no Executivo esteja com seus dias contados por conta das necessárias mudanças políticas, a decisão tomada pelo PSDB francano demonstra muito mais que uma vontade da maioria dos filiados de uma agremiação política: define o poder decisório (e necessário) dos militantes partidários sobre os rumos que ela quer ou precisa tomar.

Alexandre perdeu para Sidnei Rocha por uma serie de motivos e por seus próprios erros. Primeiro porque Sidnei Rocha tem mais história política, carrega fama de bom administrador e é aguerrido, como os tempos políticos atuais estão a exigir. Para o PSDB, difícil Sidnei não vencer as eleições, seja contra qual adversário for.
Além disso, o ex-Boca no Trombone deu a alegria ao tucanato de, em 2004, derrubar a hegemonia petista que vinha de 8 anos com Gilmar Dominici, o que por si só agradou e agrada qualquer um que tenha aversão aos petistas, tucano ou não.
Não que Alexandre Ferreira não tenha lá seus méritos. Também é bom administrador, mas sua arrogância (que Sidnei Rocha também a tem) não resultou em firmeza ao governar. Seu erros estão principalmente no fato de não acompanhar a área que é o calcanhar de Aquiles de qualquer administração: a Saúde.
Como ex-secretário da pasta, Ferreira errou feio ao deixar a coisa correr solta, permitindo, como comandante e, portanto, parte solidária, que absurdos como a Máfia dos Plantões e a contratação de falsos médicos ocorressem à larga durante seu mandato.
Além dos erros, Alexandre pagou, também, por outros e dos outros. Teve refresco apenas em seu primeiro ano de mandato. Havia pego a Prefeitura com o caixa saneado e ainda sem ser pego pela crise econômica-política que explodiu a partir de 2015.
O erro de avaliação – achar que ganharia de Sidnei na prévia tucana – foi o mais fatal de Alexandre. Talvez pela sua própria arrogância e por ficar à mercê de avaliações desastrosas de alguns de seus assessores políticos – que nada viam além do próprio umbigo e seus interesses pessoais – Alexandre não mudou de partido (para o PMDB, por exemplo, que o sondou).
Morre uma liderança política que só renasça, talvez, a partir de um período sabático obrigatório de quatro anos e com avaliação profunda e desapaixonada dos erros aqui apontados. E de outros, que o próprio Alexandre sabe ter cometido.
Uma mudança de partido parece inevitável a partir do fim de seu mandato – ou a saída do PSDB de imediato, para não se ver obrigado a apoiar o hoje desafeto, ex-padrinho e ex-mentor Sidnei Rocha.
O que aconteceu no PSDB e com Alexandre Ferreira e Sidnei Rocha sustenta de pé a máxima mineira de que “política é como uma nuvem…”



