“Não saio da cama há meses. Se saio, tenho que me arrastar e choro o tempo todo de dor”. Assim define sua relação com a artrite reumatoide a aposentada Cristina Canes, diagnosticada há três anos com esta doença autoimune e cuja vida está limitada desde então ao perímetro de sua casa.
Após meia década convivendo com dores constantes e diferentes médicos, Canes finalmente recebeu, com três anos de atraso, o diagnóstico, embora sua jornada estivesse apenas começando. “Eu passei de remédio a remédio e as dores não desapareceram. Troquei de médico para um que me receitou diferentes tratamentos, mas até agora não vi nenhuma melhora”, contou à a aposentada, de 59 anos e que administrou por mais de 40 um salão de beleza na cidade de Canavieiras, na Bahia.
Canes está entre os quase dois milhões de brasileiros que sofrem de artrite reumatoide, uma doença autoimune crônica que se manifesta quando o sistema imunológico produz anticorpos que atacam e inflamam as articulações.
A enfermidade atinge cerca de 1,5% da população global, o que se traduz em cerca de 23,7 milhões de pessoas no mundo todo, segundo dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), que encerrou neste sábado, 07 de setembro, a 36ª edição do Congresso Brasileiro de Reumatologia, em Fortaleza. Embora não tenha cura, a artrite reumatoide pode ser controlada e chegar à chamada remissão clínica, principalmente se for diagnosticada nos estágios iniciais, ainda que especialistas apontem que apenas cerca de 50% dos pacientes a alcançam.




