
|
A poluição na China é tanta que as máscaras são um dos objetos mais consumidos lá |
No site Infomoney entrevistado por Ricardo Bomfim, o economista Roberto Dumas Damas mostra que dinheiro dos chineses para infraestrutura é bem-vindo, mas que não vai resolver todos os nossos problemas: ele comenta que o Brasil tem muitas dificuldades em infraestrutura, fica sempre atrás da 100ª posição no ranking dos países com melhores estradas, ferrovias, portos e aeroportos e isso tem sido algo crônico. Diante disso, o economista do Inspe não tem dúvida de que é bom os chineses entrarem em nosso país, porque todo dinheiro é bem-vindo em especial por ser investido em um dos setores mais carentes por aqui. Além do interesse na importação de produtos agrícolas e primários do Brasil, as commodities, a China está aos poucos criando por aqui em nosso país e por extensão na América Latina uma zona de influência para se contrapor assim cada vez mais à força dos Estados Unidos neste continente (uma estratégia aos moldes da Guerra Fria). Roberto Dumas Damas lamenta apenas que os asiáticos não estão muito preocupados com a sustentabilidade, não estão nem aí com os eventuais impactos ambientais que sejam causados por suas parcerias seja com os brasileiros, seja com os sulamericanos. Já em matéria especial no site G1 da Globo, os jornalistas André Trigueiro e Franklin Feitosa destacam que, apesar de um pouco tardiamente, a China, que já é a maior economia do planeta, entendeu que hoje a poluição é o principal adversário que enfrenta para conseguir avançar de vez rumo a um desenvolvimento sustentável, fundamental na atualidade, equilibrando a economia com a ecologia. como aliás deixou explícito a Conferência do Clima em Paris recentemente, a COP21 da ONU. Trigueiro, que esteve em Pequim e em outras regiões chinesas, comenta que um motivo entre os principais obstáculos é que o carvão mineral, uma fonte fossil e poluente, representa 80% da matriz energética chinesa. Por sua vez, no portal da UFMG, o pesquisador Gilberto Libânio diz com todas as letras que as parcerias com a China podem ter um alto custo ambiental para o Brasil. Ele ressalta que o presente ou até o futuro econômico mundial hoje é pauta prioritária, sendo enfocada por muitos sites, jornais, TVs, às vezes em tom sensacionalista, a China, acusada por exemplo de roubar tecnologia e empregos do resto do mundo, desrespeitar o meio ambiente e direitos trabalhistas básicos. Para este professor da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG, essas especulações se justificam, em parte. Trabalhando no Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional de Minas Gerais (Cedeplar) ele analisa, entre diversos aspectos, a trajetória da economia chinesa nos últimos anos, as dificuldades de se fazerem prognósticos e os efeitos diferentes sobre as várias regiões e estados brasileiros. “A China quer explorar minério no Brasil sem se preocupar com meio ambiente”, disse ainda Libânio, que é doutor em Economia pela Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos. E isso que viesse acontecer o megadesastre ambiental em Minas Gerais e no Espírito Santo, no Rio Doce e no litoral capixaba. Gilberto Libânio destacou também o outro lado da moeda, e talvez o mais relevante para o Brasil, e para Minas Gerais também, a China é o maior importador mundial de produtos primários. A gente sempre ouviu que exportar produto primário é ruim porque não tem valor agregado, gera pouco emprego etc. E existe uma proposição clássica do desenvolvimento econômico que diz que a dinâmica de valor dos produtos primários é pior ao longo do tempo que a dos bens manufaturados, porque estes a cada dia têm uma inovação e seus preços são mantidos elevados. Mas o que aconteceu dos anos 2000 para cá foi o contrário. O que houve foi um barateamento geral de bens manufaturados, exatamente pela concorrência da China, que inundou o mundo de produtos a preço de banana, de um lado; e de outro lado o encarecimento de produtos primários, commodities agrícolas e minerais, por causa do excesso de demanda da economia chinesa. O Brasil se beneficia pela exportação de soja, café, minério de ferro e nesse caso Minas Gerais e o Pará são os dois grandes exportadores no Brasil. Ao longo da década os preços mais que duplicaram. O desastre socioambiental como o de Mariana (MG) e a entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC) podem motivar avanços no setor, alguns avanços chineses já tem acontecido, porém, é difícil saber a verdade dos fatos porque a informação chinesa só vem da fonte oficial, governamental. Há desconfiança de que parte dos dados que servem para análise da economia chinesa são maquiados. Mas acho que, hoje em dia, os dados que a China mais esconde são políticos e relacionados a direitos humanos. Os dados econômicos são bons mesmo, a China cresce mesmo, tem uma taxa de investimento altíssima. E a trajetória das exportações e importações não é possível esconder, porque os dados são do comércio internacional e de outras fontes. Esses números são coerentes com os dados fornecidos pela China.O pesquisador mineiro Gilberto Libânio conclui que hoje não podemos descrever a dinâmica da economia mundial nos últimos dez anos sem considerar o fenômeno chinês e isso também na área da tecnologia e da informática.
NOSSA OPINIÃO – O ideal seria a China investir em fontes limpas de energia, como a Solar e a Eólica, aí sim, a parceria seria perfeita para o Brasil e para a própria guerra interna que os chineses enfrentam cada vez mais contra a poluição: estas informações são da maior importância hoje em dia, quando cresce a parceria chinesa e brasileira, o Brasil sonha muito em driblar a crise econômica e a China precisa escapar do caos ecológico.

80% da matriz energética chinesa é carvão mineral altamente poluente

Os carros chineses são só um dos muitos avanços da tecnologia made in China

Tanto na Conferência do Clima como em outras ocasiões o 1º ministro Li Keqiang se aproxima do Brasil

|
O pesquisador da UFMG, Gilberto Libânio alerta sobre o perigo ambiental dos negócios com a China |
Amanhã, aqui neste novo webespaço Jornal da Francamais um Flash de Ecologia, mais um microblog na aventura da vida daqui da cidade, da região, do país, do planeta, um post a cada dia, onde quer que você esteja,
paz aí, Padinha



