A jabuticaba é brasileira, da casca ao
caroço. Também pudera, a aparência de durona é só para proteger a polpa macia,
doce com um quê de acidez, mas que explode em um delicado aperto. Aquela coisa
de coração mole que todo brasileiro tem.
Nativa da Mata Atlântica, o cultivo se
concentra na região centro-sul do país, entre São Paulo, passeando por Minas
Gerais, Paraná, Rio de Janeiro e Espírito Santo, indo até Goiás, onde chove
bastante, mantendo o solo úmido, essencial para uma jabuticabeira feliz. A
safra é rápida e abundante, entre agosto e novembro, mas com duas (até três)
produções ao ano. Especialmente no caso da jabuticaba-precoce ou híbrida, que
dá fruto com frequência, mas nem sempre em quantidade suficiente para ser
comercializada.
A jabuticabeira é uma árvore farta, que
produz em quantidades às vezes até exageradas – de maneira que as frutas se
espremem em qualquer rincão de galhos e tronco. As espécies mais comuns e
doces, como a sabará (a mais cultivada em todo o país) e a paulista (também
conhecida como paulista-açu, produzida no Sudeste e mais azedinha) são
facilmente encontradas e podem ser consumidas in natura. Mas as demais 15
variedades, catalogadas no livro Frutas Brasileiras do Instituto Plantarum, são
mais difíceis. Só procurando de pomar em pomar.
Por isso vale saber que a jabuticaba vai
além daquela fruta de casca fina e delicada, esférica e de sabor doce. A
jabuticaba-ponhema por exemplo é ácida, ligeiramente amarga e é a melhor opção
para produzir uma boa geleia – mesmo que geleia seja a principal receita quando
se fala em qualquer tipo de jabuticaba. Já a jabuticaba-pingo-de-mel tem sabor
semelhante ao jambo e a jabuticaba branca, de casca verde, mesmo quando madura,
é melhor apreciada exclusivamente in
natura.




