
O primeiro jogo da seleção da Argentina na Copa do Mundo de 2018 será contra a Islândia, no dia 16 de junho. Desde 30 de maio, o time está em Barcelona. Na cidade, treina nas dependências do mesmo clube em que o argentino Lionel Messi é a principal estrela. Mas além das expectativas comuns que rondam a preparação de uma das principais seleções do mundo — como qual será o time titular escalado, lesões de jogadores e o esquema tático —, a equipe argentina se envolveu em questões que extrapolam o futebol.
O conflito Israel-Palestina nas semanas que antecedem o Mundial, as seleções aproveitam para realizar partidas amistosas, como forma de preparar os atletas e fazer ajustes no time. E a Argentina não é exceção: em 29 de maio, jogou contra o Haiti e venceu por 4 a 0, em Buenos Aires. Antes de rumar à Rússia, país-sede da competição, estava planejado um grande desvio de rota: uma viagem na quinta-feira (7) para Israel, onde jogaria contra o time da casa, no último amistoso antes da Copa. As seleções de Israel e do Haiti não se classificaram para o Mundial. E é justamente esse amistoso contra Israel que somou críticas de alguns países. A partida estava planejada para acontecer em Jerusalém, cidade central para disputas políticas em toda a região do Oriente Médio. Depois de pressão política, a seleção argentina cancelou o amistoso.
Para quem foi contra a ida da seleção argentina, o jogo seria uma forma de endossar Israel, que veem como um Estado violento e repressor da população palestina. Os críticos defendem sanções contra Israel, não um evento de visibilidade internacional. Afirmam ainda que o amistoso teria fins políticos, como parte de celebrações pelos 70 anos da fundação do país. O estádio onde ocorreria a partida se localiza numa área onde havia um vilarejo palestino antes de 1948. Os ingressos para a partida esgotaram em poucos minutos de venda. Estava programada ainda uma visita de Lionel Messi ao Muro das Lamentações, na Cidade Velha de Jerusalém. O muro é o monumento mais sagrado para o judaísmo. Messi já esteve no local, em 2013. Antes do cancelamento, o chefe da Associação Palestina de Futebol, Jibril Rajoub, pediu que fãs palestinos queimassem fotos de Messi e camisas com o nome do atacante, caso ele jogasse contra a seleção israelense. Originalmente, o jogo seria na cidade de Haifa, longe da fronteira com a Palestina. O governo israelense apoiou a mudança para Jerusalém. Antes de cancelar o amistoso, a Associação do Futebol Argentino disse que a seleção estava “completamente” alheia às questões políticas entre os dois países e que era um “disparate” a visão de que, por jogar contra Israel, sinaliza apoio a um lado do conflito. Houve um protesto nesta terça-feira (5) em frente ao centro de treinamento onde está a seleção, em Barcelona. Os manifestantes pediam que o time não jogasse o amistoso contra Israel. No mesmo dia à noite, a seleção argentina anunciou o cancelamento. Pesou o receio de que houvesse algum ataque ou hostilidade a Messi ou aos demais atletas, mesmo com pedidos do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netaynahu, ao presidente da Argentina, Mauricio Macri, de que o jogo acontecesse.




