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Agora que mudou a diretriz, veja como medir a pressão da forma certa em casa

Nova diretriz reclassifica valores, alerta para riscos de infarto e AVC e recomenda mudanças no estilo de vida ainda na fase inicial.

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A nova diretriz divulgada por três sociedades médicas, que passa a considerar a pré-hipertensão os valores entre 12 por 8 e 13,9 por 8,9 deixou muita gente preocupada.

O primeiro ponto a esclarecer é que os diagnósticos são feitos com base na medição durante a consulta ou sob supervisão médica, e não a partir das aferições caseiras.

Apesar disso, o acompanhamento da pressão em casa é comum e recomendado em muitos casos. Por isso é importante evitar erros comuns.

A diretora Científica do Multiprofissional e Coordenadora da Campanha Menos Pressão da Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), Grazia Maria Guerra, e um dos coordenadores da nova diretriz pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, Wilson Nadruz, explicaram como a pressão pode ser medida em casa e os erros mais comuns.

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Para medir a pressão corretamente em casa, é necessário:

Usar aparelho validado por sociedade médica de cardiologia ou hipertensão reconhecia. Ex: Sociedades de Cardiologia ou Hipertensão brasileira, europeia ou americana. A validação é como um selo de qualidade e esta informação é descrita no aparelho, mas muitos não a possuem;

Dar preferência a aparelhos que fazem a medição pelo braço e não pelo punho. Isso porque a maioria dos aparelhos que medem pelo punho não é validada por sociedades médicas, explica Nadruz.

Os de pulso devem ser utilizados em ambientes de academia e serviços de saúde e manuseados pelos profissionais, porque – dependendo da posição – podem levar a erros de leitura e gerar valores não confiáveis, acrescenta a Guerra;

Ficar sentado, em repouso, por 5 minutos, antes da medição;

Medir em ambiente calmo e silencioso ;

Ficar com as pernas descruzadas;

Ficar com o braço apoiado no nível do coração;

Estar com as costas apoiadas no encosto da cadeira;

Aparelho

Usar aparelho calibrado anualmente ou a cada seis meses, dependendo do fabricante: uma dica é o paciente levar o aparelho para a consulta e comparar se a medida do aparelho doméstico está de acordo com a medida do aparelho do médico;

Colocar a braçadeira sobre o braço desnudo, aproximadamente 2 centímetros acima da dobra do braço;

A bolsa de borracha interna da braçadeira deve estar bem centralizada sobre a artéria braquial (o principal vaso sanguíneo do braço);

Estar atento sobre a circunferência do braço, pois braços de pessoas muito magras ou com obesidade precisam utilizar o tamanho do manguito (faixa inflável de tecido do aparelho) apropriado.

Não conversar durante a medição.

Evitar atividade física prévia;

Evitar a bexiga repleta;

Não ter ingerido bebidas estimulantes como cafeína, energéticos e álcool nos últimos 30 minutos;

Evitar cigarro nos 30 minutos antes da medição;

Protocolo

A professora Guerra destaca que um estudo de julho de 2021, publicado na revista da Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH) “Hipertensão”, revelou que 46% dos esfigmomanômetros (aparelhos usados para medir a pressão arterial), foram reprovados em testes.

A medida da pressão arterial feita em casa, pelo paciente, de forma aleatória, ou seja, sem um protocolo estabelecido, é chamada de Auto Medida da Pressão Arterial (AMPA).

E essa auto medida habitualmente não é utilizada para definir a conduta médica ou um diagnóstico de hipertensão e não costuma ser muito valorizada pelos médicos, explica Nadruz. Por isso, não existe uma frequência estabelecida para esta medição.

Entre os erros mais comuns cometidos por quem mede a pressão em casa, estão:

Medir após momentos de estresse, discussão e outros problemas domésticos;
Medir em situação de dor de cabeça;
Realizar o procedimento imediatamente após a prática de atividade física;
Não descansar por 5 minutos, sentado, antes da medição;
Usar aparelho não validado por sociedades médicas de referência;
Colocar o manguito no braço em posição inadequada;
Usar aparelho não calibrado;
Colocar a braçadeira no braço sobre a roupa;
Conversar durante a medição.

“É muito comum o paciente comprar o aparelho para ter em casa e ficar medindo durante anos sem calibrar. Com o tempo, essas medidas podem não ser muito precisas e podem não refletir o comportamento da pressão”, alerta Nadruz.

Mas existem medidas de pressão arterial feitas em casa que são validadas:

MAPA (Medida Ambulatorial da Pressão Arterial): o paciente leva para casa um aparelho oferecido pelo serviço de saúde e mede a pressão durante 24 horas, com intervalos de tempo pré-estabelecidos – geralmente variando de 20 a 30 minutos. Depois de 24 horas, o paciente tira o aparelho.

MRPA (Medida Residencial da Pressão Arterial): o paciente leva para casa um aparelho oferecido pelo serviço de saúde e mede a pressão três vezes pela manhã e três vezes à noite, durante quatro dias, e faz a média dessas 24 medidas. O paciente é treinado antes pelo médico, que segue um protocolo. Essa medida pode ser indicada pelo profissional de saúde, por exemplo, para:

Afastar o efeito da chamada “hipertensão do avental branco”, reação de alerta após fenômeno frequente, que pode elevar os valores obtidos decorrentes da reação e estado de tensão dos indivíduos.

Identificação da hipertensão mascarada

Verificação da eficácia do tratamento medicamentoso anti-hipertensivo

Confirmação diagnóstica da hipertensão arterial resistente

ATENÇÃO: Para o diagnóstico da hipertensão, o paciente precisa ter a pressão arterial medida no consultório, em dois momentos distintos.

O que é pressão arterial?

A pressão arterial é a pressão ou a força exercida pelo sangue no interior dos vasos sanguíneos arteriais, proveniente dos batimentos cardíacos. É uma medida indireta obtida por meio de técnicas testadas e validadas. Sua execução realizada de acordo com o procedimento correto evita erros.

Veja perguntas e respostas – Entenda a nova diretriz

Tenho pressão 12 por 8, vou precisar passar a tomar remédio?

Uma nova diretriz endossada por três sociedades médicas passa a enquadrar como pré-hipertensão valores entre 12 por 8 e 13,9 por 8,9 (120-139 mmHg sistólica e/ou 80-89 mmHg diastólica).

O documento foi divulgado no 80º Congresso Brasileiro de Cardiologia. Ele foi elaborado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), pela Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e pela Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH).

Antes vistos como “normais limítrofes”, esses números agora exigem atenção médica. O objetivo da reclassificação é reforçar a prevenção: nessa fase, sem que a hipertensão esteja totalmente instalada, os médicos devem recomendar mudanças no estilo de vida e, dependendo do risco do paciente, podem até receitar o uso de medicamentos.

Complicações

A mudança vai ao encontro de novas diretrizes internacionais divulgadas no Congresso Europeu de Cardiologia, em 2024. À época, a pressão 12 por 8 passou a ser classificada como “pressão arterial elevada” pelos padrões europeus.

Segundo os autores da nova diretriz, o limite mais baixo é fundamental para reduzir riscos de complicações como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência renal. Nos casos em que o paciente não tolera reduções tão intensas, a orientação é buscar o nível mais baixo possível dentro da segurança clínica.

Pela primeira vez, o relatório estabelece que não basta controlar apenas os números da pressão. O foco agora é reduzir também o risco cardiovascular global.

Além disso, a diretriz dedica, pela primeira vez, um capítulo exclusivo ao Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão reflete a realidade brasileira: cerca de 75% dos pacientes hipertensos são acompanhados na rede pública.

Saúde feminina

De acordo com uma publicação do portal G1 Saúde, a diretriz também traz orientações voltadas à saúde feminina, reconhecendo que há fases de maior vulnerabilidade para a hipertensão:

Anticoncepcionais: a diretriz recomenda medir a pressão antes da prescrição e monitorar regularmente durante o uso.

Gestação: medicamentos considerados seguros, como a metildopa e alguns bloqueadores de canais de cálcio (nifedipina de longa duração, amlodipina), devem ser priorizados em gestantes hipertensas.

Peri e pós-menopausa: fases em que a pressão tende a subir, exigindo acompanhamento mais próximo.

Histórico gestacional: mulheres que tiveram hipertensão na gravidez precisam de acompanhamento de longo prazo, já que esse histórico aumenta o risco de desenvolver doenças cardiovasculares no futuro.