A Advocacia-Geral da União (AGU) apresentou um recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) pedindo a derrubada da liminar que suspendeu a realização do leilão das hidrelétricas de Jaguara, São Simão, Miranda e Volta Grande, operadas pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), cujas concessões se encerram este ano.
O governo federal pretende realizar o leilão no dia 27 de setembro, no qual espera obter ao menos R$ 11 bilhões, montante considerado importante pelo Planalto para equilibrar as contas pública. De acordo com o edital, os vencedores do certame terão a concessão das hidrelétricas por 30 anos. A companhia mineira se opõe e argumenta que os contratos em vigor lhe garantem a renovação automática da concessão de três das quatro usinas: Jaguara, São Simão e Miranda.
O leilão foi suspenso, por meio de liminar concedida pela Justiça Federal, que atendeu pedido de um advogado sem vínculo com a Cemig. Guilherme da Cunha Andrade entrou com uma ação popular em seu próprio nome, argumentando que o valor pedido pelo governo federal provocará uma “dilapidação” do patrimônio público mineiro. Segundo o autor da ação, os R$ 11 bilhões estão abaixo do valor real das usinas, tendo em vista os investimentos realizados ao longo dos anos. Pelos seus cálculos, as hidrelétricas teriam um valor próximo a R$ 18 bilhões.
Em seu recurso, a AGU sustenta que “os cálculos apresentados pelo autor não possuem qualquer amparo legal e nem substrato documental que os acompanhem”. De acordo com o órgão, Guilherme da Cunha Andrade ignorou previsões da Lei Federal 12.783/2013 e baseou sua contabilidade das indenizações em uma análise rasa dos balanços publicados pela Cemig, aplicando índices de correção monetária sobre os números do ativo da companhia.




